Claudia Duque: Ex-agente do DAS é condenada por torturar jornalista colombiana 

Cláudia Duque

Por mais de duas décadas, a jornalista Claudia Duque foi submetida a uma prolongada campanha de tortura psicológica nas mãos da extinta polícia secreta colombiana, o Departamento de Segurança (DAS).

Desde 2001, Duque enfrentou perseguição implacável — desde sequestros até incessantes invasões de sua privacidade, incluindo vigilância ilegal de telefonemas, e-mails e contas bancárias. Essa espionagem e tortura não a atingiram apenas. Estenderam-se também a seus amigos e familiares, incluindo sua filha, que era criança na época.

Em 20 de novembro, um dos ex-agentes do DAS envolvidos na tortura foi finalmente condenado. Ronal Harbey Rivera Rodriguez é o primeiro agente condenado em um julgamento no caso Duque. Ele agora enfrenta uma pena de 12.5 anos e meio de prisão. Outros três perpetradores aceitaram as acusações criminais em 2014 e 2015 e foram condenados a penas de prisão.

Este veredicto, proferido pelo Tribunal Superior do Distrito Judicial de Bogotá, na Colômbia, anulou a absolvição do ex-agente pela corte de primeira instância. Rivera havia sido absolvido inicialmente devido à alegada incerteza quanto ao seu envolvimento. Notavelmente, o Ministério Público colombiano não recorreu da absolvição, o que levou Duque e seus advogados a apresentarem um recurso como "parte civil".

Desta vez, Rivera foi considerado culpado de tortura psicológica relacionada à vigilância ilegal de Duque e sua filha. No entanto, embora a sentença tenha reconhecido que Duque foi submetida a essa vigilância e tortura prolongadas de julho de 2001 a dezembro de 2004, Rivera foi condenado apenas pelos crimes cometidos contra Duque entre março de 2003 e dezembro de 2004.

Impacto mais amplo na proteção de jornalistas

A decisão do recurso é crucial para a proteção dos jornalistas. Ela não apenas defende os direitos de Duque, como também representa um avanço positivo para a liberdade de expressão em geral.

Justiça feita:
A decisão enfatizou que sempre houve ampla evidência de perseguição ilegal por parte do DAS, demonstrando que a justiça foi desnecessariamente retardada no caso de Duque. O reconhecimento da injustiça prolongada é um passo positivo no combate à impunidade.

Prestação de contas:
Rivera foi considerado culpado como coautor. Em outras palavras, ele fazia parte do grupo que idealizou essa campanha sistemática de vigilância contra Duque. Embora Rivera não estivesse diretamente envolvido na execução das ações que constituíram tortura, o tribunal o considerou culpado, uma vez que ele e seus coorganizadores compartilhavam um plano comum. Dado que essa campanha ocorreu enquanto Rivera ocupava um cargo público, essa constatação reforça o desafio à impunidade, ao garantir a responsabilização de figuras influentes.

Considerações sobre a questão de gênero:
A sentença apresenta uma análise dos perigos interligados enfrentados por Claudia Duque e sua filha. Dentro dessa análise, um aspecto crucial foi destacado: a referência explícita a um “risco sexual diferenciado” vivenciado por uma jornalista e sua filha como retaliação pelo seu trabalho jornalístico. Reconhecer os riscos de gênero é um passo importante no combate à violência de gênero e na proteção das vozes de mulheres dissidentes.

Um Crime Contra a Humanidade:
O tribunal classificou a tortura perpetrada contra Duque como um crime contra a humanidade. Isso se deve à constatação de que a campanha contra ela foi facilitada por vigilância ilegal patrocinada pelo Estado, foi sistemática e fez parte de uma estratégia de longo prazo de vigilância e intimidação de civis identificados como opositores ao governo. 

Medidas de reparação:
O tribunal determinou especificamente que Rivera cumpra uma pena de prisão de 12.5 anos e meio e pague uma multa. Sua sentença não pode ser substituída por sanções não privativas de liberdade ou por prisão domiciliar. Essas medidas são essenciais, visto que figuras influentes frequentemente se esquivam da responsabilidade por seus atos por meio dessas medidas menos punitivas.

Além disso, o tribunal emitiu ordens específicas de reparação. Isso incluiu um pedido público de desculpas do Presidente da República, reconhecendo a injustiça sofrida por Duque e sua família. A Presidência também deverá publicar a sentença em seu site por dois anos.

Um resultado encorajador

A Media Defence tem apoiado Claudia Julieta Duque em sua busca por justiça há muitos anos. Temos orgulho de representar Duque perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Também nos orgulhamos de ter apoiado este recurso específico no caso de Rivera.

O CEO da Media Defence, Carlos Gaio, declarou: “Esta sentença é encorajadora e esperamos que o sistema judiciário colombiano aja rapidamente para julgar os demais autores deste crime contra a humanidade. Continuaremos apoiando Claudia para garantir que a impunidade não prevaleça em seu caso.”

A Media Defence também gostaria de parabenizar a equipe jurídica de Claudia Duque, incluindo Emmanuel Vargas Penagos, por este resultado positivo.

Você pode ler mais sobre os casos de Claudia Duque. aqui. e aqui..

Observação

A decisão pode ser contestada e um processo de cassação pode ser solicitado.

Até o momento da redação deste texto, Rivera ainda não foi detido.

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