O Tribunal de Justiça da África Oriental (EACJ) proferiu uma decisão importante para a liberdade de expressão em geral e para a liberdade de imprensa em particular na Tanzânia.
Este caso teve origem numa ordem ministerial contra um jornal tanzaniano, proibindo-o de publicar durante três anos. O jornal, Mseto, contestou a ordem alegando que esta interferia na liberdade de imprensa, restringia o seu direito à liberdade de expressão e, por conseguinte, era ilegal segundo o direito internacional.
Na ação judicial movida pelo Mseto, o jornal também argumentou que o ministro não apresentou quaisquer justificativas para a ordem.
A ordem ministerial para fechar o jornal foi emitida quase imediatamente após o Mseto publicar um artigo sobre corrupção durante as eleições presidenciais da Tanzânia. O artigo, publicado em agosto de 2016, criticava o presidente e um vice-ministro. Representou uma importante contribuição para o debate público sobre corrupção e práticas ilegais envolvendo o ocupante do cargo mais alto do país e um membro de seu gabinete. O Mseto já havia publicado outros artigos documentando corrupção em altos cargos e já havia sido ameaçado pelo governo no passado.
As consequências da ordem de encerramento foram devastadoras, não apenas para os proprietários, funcionários e leitores do jornal, mas também para a liberdade de imprensa na Tanzânia em geral. A ordem estava em consonância com a prática dos ministros tanzanianos de proibir ou suspender jornais que criticam o governo.
O Tribunal, concordando com os argumentos da Mseto, determinou a anulação da ordem ministerial e permitiu que a Mseto retomasse suas publicações. O Tribunal criticou a forma arbitrária e "caprichosa" como a ordem foi emitida, considerando que o Estado agiu de maneira contrária aos princípios da responsabilidade e da transparência. Especificamente, concluiu que a ordem contrariava o Estado de Direito e violava o direito à liberdade de expressão. Espera-se que a Tanzânia cumpra esta decisão.
O caso foi levado ao tribunal pelo advogado tanzaniano Fulgence Massawe. Centro Jurídico e de Direitos HumanosCom o apoio da Media Legal Defence Initiative (MLDI), o Sr. Massawe saudou a decisão do Tribunal como “uma decisão histórica em nossa jurisdição. Temos testemunhado o ataque sistemático à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa na Tanzânia. Esta decisão enviou a mensagem correta ao governo tanzaniano.”
Segundo Pádraig Hughes, diretor jurídico da MLDI, a decisão “representa um importante passo positivo na luta contra a interferência dos governos na liberdade de imprensa. É essencial que os tribunais permaneçam vigilantes a quaisquer tentativas de interferir nos esforços para expor a corrupção, a desonestidade e a incompetência por meio do jornalismo investigativo”.