Emilio Palacio Urrutia v Equador: O julgamento abrindo caminho para regulamentações anti-SLAPP nas Américas

Ilustrações de jornal, crachá de imprensa, van, satélite, caderno e câmera de vídeo.

Os SLAPPs são uma forma de assédio legal que visa ocultar informações de interesse público. Esses tipos de processos – que buscam silenciar discursos sobre assuntos de interesse público – estão se tornando uma ferramenta cada vez mais comum usada por indivíduos poderosos contra jornalistas. Felizmente, a conscientização sobre eles também está aumentando.

Neste artigo, discutimos um caso recente que marcou época: Emilio Palacio Urrutia x EquadorNeste caso, a Corte Interamericana de Direitos Humanos – pela primeira vez na história de sua jurisprudência – faz referência ao conceito de SLAPPs (ações judiciais abusivas contra a participação pública).

O caso dizia respeito a ações criminais iniciadas pelo Presidente do Equador contra o jornalista Emilio Palacio Urrutia e o jornal O universo.

Os fatos

No início de 2011, o jornal El Universo publicou um artigo de opinião intitulado NÃO às mentiras (Chega de mentiras), escrito pelo jornalista Emilio Palacio Urrutia. O artigo criticava as ações do então presidente equatoriano Rafael Correa durante os protestos antigovernamentais realizados pela Polícia Nacional em 2010. O protesto terminou em um confronto violento entre a polícia e o exército, resultando em pelo menos cinco mortes, incluindo a de um estudante universitário.

No artigo, Palacio acusou o então presidente de ser um ditador e de ordenar crimes contra a humanidade em resposta ao protesto.

No mês seguinte, Correa apresentou uma queixa-crime contra o jornalista e vários outros funcionários do El Universo. O tribunal provincial os considerou culpados de difamação. Eles foram condenados a três anos de prisão e também foram obrigados a pagar US$ 30,000,000 milhões em indenização ao presidente. O tribunal ordenou ainda que o El Universo pagasse US$ 10,000,000 milhões em danos. Palacio deixou o emprego no jornal em 2011 e mudou-se para os Estados Unidos da América, onde recebeu asilo político.

Os tribunais equatorianos negaram os recursos de Palacio e do El Universo, e mantiveram as condenações criminais.

A decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos

Os réus apresentaram uma petição à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que levou o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos. A Media Defence participou do caso com um parecer de amicus curiae. Nossa intervenção focou nos padrões internacionais aplicáveis ​​à liberdade de expressão em assuntos de interesse público e no efeito inibidor que processos contra a participação pública têm sobre o jornalismo. Leia nossa intervenção completa em espanhol. aqui..

A Corte Interina de Direitos Humanos (CIDH) emitiu sua sentença final em novembro de 2021. mantido que a sanção penal contra El Universo não era necessária nem proporcional, nos termos do Artigo 13 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Também estabelecido que as sanções “geraram um efeito inibidor que inibiu a circulação de ideias e informações”.

Em suas considerações, o Tribunal notado que “o uso de processos criminais por difamação por funcionários públicos, com o objetivo de silenciar críticas sobre assuntos de interesse público, representa uma ameaça à liberdade de expressão”.

Notavelmente, também estabelecido“Esses tipos de processos, conhecidos como “SLAPP” (ação judicial estratégica contra a participação pública), constituem um uso abusivo dos mecanismos judiciais que merecem regulamentação e controle por parte dos Estados, a fim de proteger o exercício efetivo da liberdade de expressão.”

Leia a íntegra da sentença em espanhol. aqui. e em inglês aqui..

Significado do caso para SLAPPs

Esta decisão da Corte Interina de Direitos Humanos (CIDH) é um marco para a liberdade de expressão. A sentença reitera que o uso de processos criminais por difamação com o objetivo de silenciar críticas sobre assuntos de interesse público constitui uma ameaça à liberdade de expressão. Isso está em consonância com uma tendência mais ampla de outros tribunais internacionais de rejeitar o uso da difamação como instrumento jurídico para sufocar a dissidência. Assim, a sentença amplia o escopo da proteção à liberdade de expressão na região.

Além disso, a sentença também indica a necessidade de os Estados introduzirem legislação anti-SLAPP. Ela destaca a relevância de refletir sobre “a necessidade e a importância de medidas anti-SLAPP, como meio de evitar demandas estratégicas cujo objetivo é censurar opiniões críticas, e a necessidade de continuar fortalecendo a robusta proteção à liberdade de expressão garantida pela Convenção Americana, reforçando a proteção à liberdade de expressão e ao discurso de opinião em assuntos de interesse público”.

Essa decisão histórica abriu caminho para um ambiente mais favorável no qual os jornalistas possam exercer seu direito à liberdade de expressão.

 

Para um resumo mais detalhado, consulte: https://globalfreedomofexpression.columbia.edu/cases/palacio-urrutia-v-ecuador/

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