Introdução
Módulo 1: Direitos Digitais e Desafios Emergentes
O termo “direitos digitais” é comumente usado para se referir à forma como os direitos humanos clássicos e fundamentais contidos em instrumentos como o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (PIDCP) e o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC) são interpretados em nossa era digital atual, onde grande parte da vida humana é intermediada por tecnologias digitais como a internet e as mídias sociais. Compreender os direitos digitais é crucial para poder proteger os direitos humanos fundamentais em qualquer domínio, já que muito pouco de nossas vidas hoje está imune às forças da tecnologia e da internet, que remodelaram a forma como os seres humanos se comunicam, participam da vida pública e se comportam.
Os espaços digitais eram em grande parte desregulamentados quando surgiram. Embora muitos países tenham avançado na regulamentação da esfera digital, incluindo a aprovação de leis de proteção de dados para proteger a privacidade online e a adaptação da legislação penal para abranger os crimes cibernéticos, esses espaços continuam a apresentar novos desafios de governança e novas ameaças, bem como oportunidades, para o avanço dos direitos humanos.
Por exemplo, a internet, as redes sociais e outras tecnologias criaram novas oportunidades para a expressão e colaboração transfronteiriças, que, de certa forma, promoveram radicalmente a liberdade de expressão.
Ao mesmo tempo, porém, as tecnologias digitais têm sido usadas em alguns lugares para promover práticas antidemocráticas que limitam a liberdade de expressão – como o bloqueio ou a censura da internet e o uso da tecnologia digital para realizar vigilância em massa. Em toda a Europa Oriental e Ásia Central, o uso da tecnologia para viabilizar táticas autoritárias por parte dos governos e técnicas repressivas por parte de atores privados aumentou consideravelmente nos últimos anos.1À medida que novas tecnologias continuam a evoluir rapidamente, com o desenvolvimento de tecnologias como o reconhecimento facial em tempo real e a inteligência artificial generativa, esses riscos tornam-se cada vez mais complexos de gerir, inclusive por meio da legislação. Proteger e desenvolver espaços online onde os direitos humanos possam ser respeitados e promovidos exige, portanto, respostas eficazes a regulamentações opressivas e soluções inovadoras.