Introdução
Módulo 1: Violência contra mulheres jornalistas na África Subsaariana
Os ataques online contra jornalistas mulheres representam uma das mais graves ameaças contemporâneas à sua segurança, à igualdade de gênero e à liberdade de imprensa. Esses ataques são frequentemente cruéis, coordenados, altamente sexualizados e maliciosos, visando particularmente mulheres pertencentes a minorias religiosas e étnicas ou pessoas não conformes com o gênero.1Lamentavelmente, as diversas manifestações de violência online enfrentadas por mulheres jornalistas com identidades variadas e interseccionais representam a “nova linha de frente na segurança do jornalismo”.2Existem várias características distintas da violência online direcionada a jornalistas:
- ImpactoViolência online contra mulheres jornalistas (3) visa menosprezá-los e intimidá-los, fomentando um clima de medo e retraimento.(4Além disso, busca macular sua credibilidade profissional, minando a confiança na mídia. Isso “equivale a um ataque à deliberação democrática e à liberdade de imprensa, abrangendo o direito do público ao acesso à informação, e não pode ser normalizado ou tolerado como um aspecto inevitável do discurso online, nem do jornalismo contemporâneo participativo.”5)
- Implicações em relação aos direitosO direito de estar livre de discriminação, ameaças e violência aplica-se tanto fora como online. Combater a violência online dirigida a jornalistas mulheres é crucial para a promoção, entre outros, dos direitos à liberdade de expressão, à liberdade de imprensa e à privacidade. Esta violência não se limita apenas à esfera digital, mas frequentemente transborda para os espaços físicos.6)
- Metas: Embora qualquer pessoa possa ser vítima de violência online, mulheres e pessoas com identidades marginalizadas ou "em risco" são desproporcionalmente visadas e afetadas por essa violência devido ao seu gênero, orientação sexual, identidade e outros fatores interligados.7Frequentemente alvo de ataques devido ao seu gênero e ao seu trabalho, as jornalistas são expostas a conteúdo ameaçador e intimidatório, o que tem impactos prejudiciais não apenas em suas vidas pessoais e segurança, mas também em sua capacidade de realizar seu importante trabalho.8)
- Ferramentas e espaços digitais: A evolução das novas tecnologias digitais e das ferramentas e serviços de tecnologias de informação e comunicação (TIC) deu origem a formas diferentes e mais generalizadas de violência online contra jornalistas.9Essas tecnologias possibilitaram ataques coordenados em uma escala sem precedentes e com anonimato, o que cria desafios para garantir a responsabilização dos autores. Prevê-se que elas continuarão a possibilitar mais ataques contra jornalistas nos próximos anos.10)
- Diversas formas de danoA violência online de gênero contra mulheres jornalistas é frequentemente perpetrada e associada a outros tipos de violência online. Por exemplo, campanhas orquestradas de desinformação,11e sendo alvo de deepfakes para criar narrativas falsas e imagens geradas ou editadas artificialmente para envergonhá-los e minar sua credibilidade. Doxxing e cyberstalking, abordados com mais detalhes no Módulo 2 desta série, também são ferramentas comuns para atacar jornalistas e inibir o jornalismo.
- predomínioEmbora a violência contra jornalistas, particularmente mulheres, seja um problema generalizado e grave, mesmo as estimativas existentes sobre sua prevalência provavelmente subestimam significativamente o problema. A UNESCO relata que jornalistas, especialmente mulheres jornalistas, muitas vezes não registram queixas ou denúncias junto às autoridades policiais, e ainda menos buscam soluções legais, o que demonstra a “necessidade de aprimoramento nas respostas legais e judiciais à violência online contra mulheres jornalistas”.12Na África Subsaariana, vários estados promulgaram leis que proíbem a violência online contra jornalistas. No entanto, a eficácia dessas leis para lidar com a violência online tem sido questionada, sendo a violência de gênero um desafio específico.
Este módulo oferece uma visão geral de alto nível dessa tendência emergente e examina o quadro jurídico internacional relacionado à violência online contra jornalistas, com foco no impacto de gênero sobre as jornalistas mulheres.