Juan Pablo Barrientos: Desafiando o sigilo da Igreja Católica sobre os abusos sexuais na Colômbia

Juan Pablo Barrientos

Em 2016, o jornalista Juan Pablo Barrientos inspirou-se na história da unidade de investigação do Boston Globe. HolofoteEm 2001, a Spotlight realizou uma investigação aprofundada sobre abuso sexual dentro da Igreja Católica em Massachusetts, o que levou a novas investigações em diferentes partes do mundo. Barrientos decidiu realizar o mesmo trabalho na Colômbia, um país onde a Igreja Católica está profundamente enraizada.

Aproveitando-se da lei colombiana sobre o “direito de petição”, Barrientos começou a apresentar pedidos de acesso à informação à Igreja Católica. No entanto, ele imediatamente se deparou com dificuldades. A maior parte das informações que ele solicitava dizia respeito ao andamento de denúncias contra padres acusados ​​de pedofilia na Colômbia. A Igreja se recusou a divulgar essas informações, alegando que eram confidenciais. Barrientos levou seu caso ao Tribunal Constitucional e obteve uma sentença histórica em 2020, que ordenou à Igreja a divulgação de informações sobre 43 padres.

Dando continuidade à investigação

Ao longo de suas investigações, Barrientos publicou dois livros sobre abuso sexual dentro da Igreja Católica na Colômbia. Ambos os livros enfrentaram processos judiciais, sem sucesso, movidos por padres que buscavam liminares para impedir sua publicação.

Como parte de sua investigação em andamento, Barrientos apresentou um novo pedido à Igreja Católica. Desta vez, ele investiga 915 padres acusados ​​de pedofilia. Embora Barrientos esteja solicitando informações semelhantes às que o Tribunal Constitucional considerou admissíveis para divulgação em 2020, a Igreja rejeitou o pedido pelos mesmos motivos de confidencialidade de antes. Além disso, a Igreja enfatizou que o “Direito Canônico” impõe um nível de sigilo às informações solicitadas. Mais uma vez, Barrientos levou seu caso ao Tribunal Constitucional e aguarda o julgamento.

A intervenção

Apresentamos uma intervenção neste novo pedido de Barrientos no Tribunal Constitucional. Nossa apresentação se concentra nos três pontos seguintes:

  1. Os princípios gerais sobre o direito de acesso à informação prevalecem sobre o “Direito Canônico”.
  2. O direito de acesso à informação no Direito Constitucional da Colômbia e no Direito Internacional dos Direitos Humanos
  3. Interferir em atividades de coleta de notícias é passível de suspeita de inconstitucionalidade e está sujeito ao mais rigoroso escrutínio.

 

Clique neste link Para encontrar a intervenção da Media Defence em espanhol.

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