Caso que questiona a impunidade no assassinato do jornalista Léo Veras chega à CIDH seis anos após sua morte.

No sexto aniversário do assassinato do jornalista brasileiro Lourenço “Léo” Veras, o Instituto de Direito e Economia Ambiental (Instituto de Direito e Economia Ambiental – IDEA) e Media Defence apresentaram uma petição à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), referente à responsabilidade do Estado paraguaio em relação à sua morte e à falta de diligência na investigação, no processo e na condenação dos autores materiais e intelectuais.

No dia 12 de fevereiro de 2020, enquanto jantava com a esposa, o filho e o sogro em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, Léo Veras foi atacado por homens armados e mascarados que invadiram sua casa e o alvejaram com 12 tiros. Ele foi levado para o hospital local e morreu pouco depois.

Léo Veras, proprietário e gerente do Porã News, denunciava o crime organizado e a violência na região fronteiriça entre o Paraguai e o Brasil. Dos 21 jornalistas assassinados no Paraguai desde 1991, cerca de metade foi morta nessa região, e quase todos esses casos permanecem sem solução. O Paraguai ocupa atualmente a 84ª posição entre 180 países no ranking de imprensa mundial da Repórteres Sem Fronteiras.
O Reino Unido possui um Índice de Liberdade e está entre os países mais afetados pelo crime organizado em todo o mundo. Jornalistas que cobrem o crime organizado ou a corrupção política em áreas de fronteira continuam a enfrentar ameaças, assédio e violência.

Seis anos após seu assassinato, as circunstâncias que envolvem o crime permanecem sem solução, e nenhuma decisão judicial definitiva foi alcançada, negando justiça aos seus entes queridos.

“Seis anos depois, o assassinato de Léo Veras permanece sem solução. Nenhum dos perpetradores foi condenado. A ausência de uma investigação completa e eficaz sobre seu assassinato reforça a impunidade para esse tipo de grave violação dos direitos humanos no Paraguai. Estamos levando este caso adiante para fazer justiça às vítimas e quebrar o ciclo.
da impunidade. Os Estados têm a clara obrigação de prevenir, investigar e punir crimes contra jornalistas com a devida diligência. Quando falham nesse aspecto, o impacto se estende além do caso individual e mina a proteção da liberdade de imprensa e de expressão de forma mais ampla.”

– Carlos Gaio, CEO da Media Defence

“O assassinato de Léo Veras não só ficou impune por seis anos, como sua família, além de sofrer com sua ausência, foi ameaçada, assediada e revitimizada em inúmeras ocasiões. A mensagem é perversa: não só podem cegar a vida de um jornalista, como o dano à sua família não terminará com a sua morte; pelo contrário, será o início de uma série de novos sofrimentos.”

– Ezequiel Santagada, CEO da IDEA

A Media Defence e a IDEA solicitam à CIDH que examine o caso à luz das obrigações do Paraguai de proteger a liberdade de expressão e garantir o acesso à justiça. As organizações enfatizam a importância de investigações eficazes sobre crimes contra jornalistas como elemento fundamental para prevenir futuros ataques e salvaguardar a responsabilidade democrática.

Contato: IDEA / Assessoria de Imprensa da Media Defence

Ezequiel Santagada (IDEA – +595 981 817300)
Marta Cabrera (MD – +44 (0)7836740683)

Recente: Comunicado de imprensa

Banida, multada e presa: Saba Sutidze fala sobre a repressão à imprensa na Geórgia.

Nesta edição de Defensores da Liberdade de Imprensa, a Media Defence conversa com Saba Sutidze, advogada de direitos humanos e de mídia do Instituto de Tolerância e Diversidade, sobre a crescente repressão,

Tribunal de Apelação francês rejeita ação por difamação movida por cirurgião contra a Marsactu e a Mediapart.

O Tribunal de Apelação de Aix-en-Provence rejeitou o processo por difamação movido pelo cirurgião Michel Assor contra o artigo da Marsactu publicado em 2024.

Khadija Ismayilova garante vitória contra o Azerbaijão no Tribunal Europeu.

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considerou que a condenação criminal de Khadija Ismayilova, uma renomada jornalista e ativista da sociedade civil azeri, foi infundada, injusta e uma violação dos seus direitos.

A liberdade de imprensa é essencial para a proteção dos direitos humanos.