A batalha judicial do premiado jornalista César Estrada contra a censura ganhou um novo capítulo recentemente. Em maio deste ano, a Suprema Corte do Peru rejeitou seu recurso de cassação contra a sentença de 10 anos de prisão proferida por instâncias inferiores. Seu caso é emblemático das lutas enfrentadas por muitos jornalistas indígenas em toda a América Latina.
Como jornalista da Rede de Comunicadores Indígenas do Peru – REDCIP, César Estrada trabalhou incansavelmente durante muitos anos para expor a corrupção e os abusos governamentais e privados associados a um projeto de mineração na região do Congo.
Uma história de perseguição
A partir de 2014, Estrada teve que enfrentar acusações infundadas e forjadas de sequestro e roubo. Essas acusações estavam relacionadas a uma disputa entre membros de sua comunidade e representantes da empresa responsável pelo projeto de mineração. Embora tenha sido absolvido dessas acusações, um tribunal de primeira instância o condenou por extorsão em julho de 2017, e um tribunal de segunda instância confirmou essa decisão em maio de 2018.
Ao longo dos anos, Estrada não teve apenas que lidar com o processo judicial contra ele. Ele também foi submetido a ataques violentos e foi colocado sob vigilância juntamente com sua esposa.
O caso dele atraiu atenção internacional, particularmente da Relatora Especial da ONU sobre a situação dos defensores dos direitos humanos. Ela se referiu ao caso como um abuso do direito penal para desacreditar pessoas que se opõem a grandes projetos de mineração.
O caso de Estrada, Segundo o Relator, é um exemplo da criminalização dos defensores dos direitos ambientais no Peru.
Jornalistas indígenas
Assim como Estrada, jornalistas indígenas enfrentam criminalização e assédio de diversas formas em toda a América Latina. o caso da Rádio Aukan no Chile, os funcionários de lá foram acusados de transmitir seu sinal sem licença e obteve sucesso em um desafio constitucional contra o processo que movem, com o apoio da Media Defence. A Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), no caso de Norin Catriman et al v. Chile, Recentemente, o tribunal considerou que o Estado havia feito uso indevido e deliberado da legislação antiterrorista contra líderes de comunidades indígenas que participavam de protestos pacíficos contra ações do governo.
Estrada está agora trabalhando com a Media Defence para contestar constitucionalmente a decisão da Suprema Corte. A base dessa contestação é que ele foi submetido a restrições processuais ilegais e seu direito à liberdade de expressão foi violado.
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