Defensores dos Direitos Digitais: Entrevista com Tonny Kirabira

Tonny Kirabira é um advogado e pesquisador ugandense que participou do Curso de Litigação para a África Oriental de 2018, promovido pela Media Defence, como parte do nosso Projeto de Defensores dos Direitos Digitais. Este projeto é financiado pelo Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado dos EUA e visa capacitar advogados na África Subsaariana para atuarem em casos de direitos digitais. Isso ocorre por meio de treinamentos, eventos de networking, aprendizado entre pares e bolsas de estudo. Tivemos a sorte de receber a visita de Tonny em nosso escritório em Londres para um bate-papo rápido sobre o treinamento que ele fez e sobre o que tem feito desde então.

Bom dia, Tonny! Como você está hoje?

Estou bem, só estou animada por estar aqui.

É ótimo ter você aqui. O que te traz a Londres?

Eu tinha um compromisso, por isso vim a Londres, mas também pensei que outra coisa que deveria fazer enquanto estivesse aqui era dar uma olhada no Media Defence.

Que bom que você veio! Então você está estudando em Portsmouth, certo?

Sim. Na verdade, acabei de começar meu doutorado, estou no primeiro ano. É focado em justiça penal internacional, principalmente no caso das vítimas Rohingya em Mianmar. Me interessei por esse assunto durante o mestrado, então é uma continuação desse trabalho. Estou pesquisando se o direito penal internacional é uma opção viável para o povo Rohingya. Caso contrário, qual seria a solução mais adequada para a situação deles?

Nossa, isso é realmente interessante. Pode nos contar um pouco sobre sua experiência com a Media Defence?

Minha jornada com a Media Defence começou em 2015, quando eu trabalhava no Vision Group – a maior organização de mídia de Uganda. Eu estava envolvido com litígios, então me inscrevi no programa East Africa Litigation Surgery da Media Defence e conheci colegas do Quênia, Tanzânia, etc. Recebi ótimos materiais e estratégias para o meu trabalho. Eu acompanhava os casos e as pesquisas da Media Defence e continuo acompanhando até hoje.

Qual foi a importância do treinamento para você e por quê?

O treinamento me apresentou à defesa de jornalistas além dos tribunais aos quais eu estava acostumada. Saber que eu era capaz de defendê-los regional e internacionalmente me deu confiança, algo que eu não tinha muito antes, porque eu trabalhava quase sempre sozinha e poucas pessoas se interessam por esse tipo de caso (principalmente porque jornalistas não têm dinheiro para contratar advogados). Agora sei que existem colegas com quem posso trabalhar, por exemplo, a Rede de Direitos Humanos para Jornalistas em Uganda. Eles me ajudaram com alguns dos meus casos e pesquisas. Ter confiança me motivou a trabalhar mais e, inclusive, fui indicada duas vezes ao Prêmio de Defensora dos Direitos Humanos, em 2016 e 2017.

Parabéns!

As pessoas no meu escritório não conseguiam acreditar! Mas eu estava motivada a trabalhar nesses casos por causa da Media Defence. Não se trata apenas de analisar este ou aquele tribunal; existe uma estratégia maior por trás de cada caso, e eu utilizei essas estratégias. Também utilizei muitos recursos da Media Defence devido à perspectiva de cooperação.

Isso é ótimo. Você acha que ainda há espaço para melhorias no que diz respeito ao acesso de advogados da África Oriental aos tribunais regionais?

Sem dúvida. Há uma grande necessidade disso, especialmente porque temos bons precedentes para litigar direitos humanos no Tribunal de Justiça da África Oriental. Também é preciso investir mais em educação. Não apenas para advogados como eu, que já possuem um bom conhecimento, mas também para os advogados mais jovens, inclusive aqueles que ainda não se formaram. Até mesmo workshops para os juízes seriam benéficos, pois cada um tem uma formação jurídica diferente.

Então, que tipo de trabalho você gostaria de ver a Media Defence realizar a seguir na África Oriental?

Como eu disse, acho que o treinamento é importante. Também acho que seria bom se você trabalhasse com instituições de treinamento credenciadas. Por exemplo, eu estudei na Universidade Cristã de Uganda, que fez uma parceria com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos para oferecer alguns cursos sobre direitos humanos. Os estudantes de direito de lá são obrigados a trabalhar em alguns desses casos, e acho que seria bom se você fizesse algo parecido. Durante a formação acadêmica, o impacto é maior, porque quando esses estudantes começarem a trabalhar, já estarão pensando em direitos humanos, pois estudaram o assunto desde cedo.

Você recomendaria nosso treinamento a outros advogados da sua região?

Sim, com certeza. Já fiz no passado e ainda recomendo o treinamento.

Obrigado!

Seja bem-vindo.

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