Entrevista com o jornalista brasileiro e ativista LGBTQ+ Jean Wyllys

Jean Wyllys é um jornalista brasileiro que escreve para Soco Contador, entre outros jornais e revistas de destaque. É também investigador na Fundações Open Society e ativista LGBTQ+. A sua pesquisa se concentra na desinformação e ascensão de governos autoritários. Wyllys foi solicitado ao exílio após receber mensagens com discurso de ódio homofóbico e ameaças de morte, durando o seu mandato como um dos primeiros membros abertamente homossexuais da Câmara de Deputados.

O que a liberdade de expressão significa para você?

A liberdade de expressão é, para mim, um dos pilares de uma sociedade verdadeiramente democrática. Sem liberdade de expressão intelectual, artística e/ou política, não existe democracia de fato. Contudo, a liberdade de expressão – como é de se esperar numa democracia que pressupõe deveres no exercício de direitos – implica em responsabilidade por parte de quem a exerce. Ninguém pode usar sua liberdade de expressão para mentir, caluniar, difamar e propagar o ódio e esperar sair impune, até porque o discurso de ódio e a mentira ameaçam indivíduos e coletivos. Em resumo, liberdade de expressão não é e nem pode ser liberdade de opressão. O que limita a liberdade de expressão é o reconhecimento da dignidade humana daqueles a quem a expressão se dirige.

Poderia falar-nos sobre a difamação contra si?

Desde o momento em que me tornei membro do Parlamento brasileiro, fui sujeito a uma campanha de difamação, violência em linha e assédio. Isto foi dirigido a mim por grupos de extrema-direita em resposta ao facto de eu ser o primeiro deputado social-democrata abertamente gay num ambiente de direita maioritária.

A difusão continua até aos dias de hoje. Qualquer perfil no Twitter que critique Bolsonaro ou outros indivíduos poderosos de extrema-direita recebe comentários odiosos, difamatórios e comentários baseados em desinformação.

Em 2022 fui processado pelos meus comentários sobre as redes sociais depois de um deputado ter concordado com a proposta de que um partido nazista deveria ser legalizado e ter dito que a Alemanha tinha um erro ao criminalizar o partido nazista.

A Media Defense está a apoiar o recurso contra a ação judicial que me ordena o pagamento de indenizações neste caso de difamação. Para mim, é muito importante ter uma organização como a Defesa da Mídia ao meu lado na luta contra a difusão através de meios judiciais. Uma vez que não podemos conter toda a desinformação, podemos pelo menos responsabilizar judicialmente os poderosos funcionários públicos que espalham mentiras e promovem o assédio.

Como esse caso afetou seu trabalho?

Afetou toda minha vida. Me fez abandonar meu mandato. Deixar para trás minha família e meus amigos. Afetou significativamente minha saúde emocional. Ou seja, alterou totalmente meu destino. Minha sorte é que os anos de vida na pobreza me converteram num sobrevivente, em alguém capaz de se reinventar e de seguir na luta.

Quais são as maiores questões que você observa em relação à liberdade de expressão no Brasil neste momento?

Por um lado, a desinformação programada pela extrema-direita – que inclui mentiras, calúnias, teorias da conspiração, negacionismo e revisionismo histórico – e, por outro lado, o silenciamento da expressão política e artística, sobretudo de grupos minoritários e sem poder de representação. De um lado, há a perversão da noção de liberdade de expressão; e, do outro lado e como consequência, há um assédio permanente contra as expressões políticas que trazem a verdade dos fatos e o elogio à vida e à diversidade.

 

Se você é jornalista e precisa de apoio para contato com seu trabalho, clique aqui.

Recente: Defesa de Emergência

Pesquisa de Impacto dos Jornalistas de 2025

EN FR ES Pesquisa de Impacto do Jornalismo 2025 Temos o prazer de publicar as conclusões e observações da nossa Pesquisa de Impacto do Jornalismo 2025. O relatório é uma oportunidade para avaliar a eficácia

O jornalista guatemalteco José Rubén Zamora foi libertado e passou a cumprir prisão domiciliar após mais de três anos de detenção arbitrária. 

O jornalista investigativo guatemalteco José Rubén Zamora Marroquín, fundador do extinto jornal independente El Periódico, foi libertado para prisão domiciliar em 12 de fevereiro de 2026, após passar 1295 dias em prisão preventiva.

Khadija Ismayilova garante vitória contra o Azerbaijão no Tribunal Europeu.

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considerou que a condenação criminal de Khadija Ismayilova, uma renomada jornalista e ativista da sociedade civil azeri, foi infundada, injusta e uma violação dos seus direitos.

A liberdade de imprensa é essencial para a proteção dos direitos humanos.