IFEX-ALCDefesa da mídia e Repórteres Sem Fronteiras (RSF) rechazar os atos de intimidação cometidos pela Fiscalía Geral da Colômbia contra a Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP) e a jornalista Diana Díaz e exigem das autoridades colombianas velar pelo respeito ao trabalho das organizações que defendem e promovem até mesmo a liberdade de expressão e o trabalho dos e dos periodistas.
O incidente começou em janeiro de 2019, quando a FLIP descobriu um áudio que evidenciava que o gerente da emissora da Rádio Televisão Nacional da Colômbia (RTVC), um meio público (rádio e televisão) de alcance nacional, Juan Pablo Bieri, havia dado a ordem de retirar do ar o programa “Los Puros Criollos”, depois de o apresentador de seu programa criticar Publicamente uma iniciativa de lei sobre tecnologias de informação e comunicação, promovida pelo governo.
Depois de a gravação ter sido publicada, Bieri denunciou penalmente a jornalista Diana Díaz, que havia trabalhado para RTVC como diretora de Señal Colômbia e foi bom entrego à FLIP informações sobre irregularidades ocorridas em sua instituição.
No marco deste processo penal que se adelanta contra Diana Díaz, a Fiscalía requirió a la FLIP a data para realizar uma inspeção judicial em seus escritórios, os registros de entrada de pessoas nas instalações da FLIP entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020, e entregar a captura de áudio que evidenciou a ordem de censura dada por Bieri. Além disso, três funcionários da organização foram citados em uma entrevista.
Para que organizações como a FLIP possam realizar seu trabalho, é necessário, como garantia básica, que aqueles que desejam pedir seu apoio possam fornecer informações sobre vulnerabilidades ao direito à liberdade de expressão e de imprensa, sem medo de sofrer retaliações. Nesse sentido, as ações da Fiscalidade neste caso violaram uma garantia básica e geraram um efeito intimidatório.
As organizações da sociedade civil desempenham um papel fundamental na sensibilização, no intercâmbio de informações, na solicitação de respostas, na promoção da democracia e dos direitos humanos e na responsabilidade dos governos. Além de contribuir para a existência de um ambiente democrático saludável, as organizações da sociedade civil também promovem respostas comunitárias resilientes e inovadoras à crise de saúde, fortalecem as vozes dos grupos marginalizados e defendem os direitos humanos.
Tal y como lo ha señalado el Relator Especial sobre os direitos da liberdade de reunião pacífica e associação de Nações Unidas, "[l]as ONG podem assumir funções que os agentes políticos não são capazes de desempeñar, já que essas organizações têm mais possibilidades de atuar com independência, imparcialidade e flexibilidade. Em alguns casos, os grupos da sociedade civil também podem ter melhores conexões com os grupos de base comunitária, são capazes de mantenha a confidencialidade e tenha uma relação de maior confiança com a população local”.
A Relacionamento Especial para a Libertação da Expressão das Nações Unidas, sinalizou que “[a] menudo, os pesquisadores de direitos humanos se baseiam em fontes que exigem confidencialidade por razões de segurança”. Nesse sentido, o princípio 8 da Declaração de princípios sobre a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) estabelecer que “todo comunicador social tem direito à reserva de suas fontes de informação, fontes e arquivos pessoais e profissionais”.
Além do caso da FLIP, rechaçamos categoricamente o processo penal que foi realizado contra a jornalista Diana Díaz, que realizou uma denúncia de uma violação do direito à liberdade de expressão e por fim deveria contar com a proteção que como denunciante de temas de interesse público tem abaixo dos padrões internacionais na importância. O processo penal adelantado em sua contra, também gera um efeito intimidatório em outros jornalistas ou funcionários ou funcionários públicos, que como ela, presenciam atos que constituem violações de direitos humanos.
As organizações firmadas solicitamos:
- À Fiscalização Geral da Nação, respeite o trabalho das organizações da sociedade civil e dos periódicos, garantindo direitos como o da reserva da fonte e cumplir as instruções da instituição a respeito. Nesse sentido, você deve desistir das acusações contra a jornalista Diana Díaz e dos procedimentos que foram mencionados na FLIP.
- À Procuradoria Geral da Nação e à Defensoría del Pueblo, velar pela proteção dos direitos da jornalista Diana Díaz.
- Ao presidente da República, que enviou uma mensagem contundente de respeito pelo trabalho dos e dos jornalistas e das organizações da sociedade civil que desafiam e promovem até mesmo os direitos humanos.
- As autoridades colombianas em geral, abstenham-se de usar o aparelho estatal para intimidar as vozes críticas.
- Às autoridades colombianas em geral, cumpram as obrigações internacionais contidas nos instrumentos de direitos humanos ratificados pela Colômbia, os quais garantem o exercício pleno do direito à liberdade de expressão
Firma:
Defesa da mídia
Repórteres Sem Fronteiras (RSF)