A Media Defence apresenta intervenção no caso 'Luxleaks' na Grande Câmara do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

O caso 'Luxleaks'

A Media Defence apresentou uma intervenção de terceiros no caso de Halet x Luxemburgo (também conhecido como o caso 'Luxleaks') na Grande Câmara do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). O requerente, Sr. Halet, foi um dos dois denunciantes responsáveis ​​pela divulgação de documentos internos da PricewaterhouseCoopers (PwC) a um jornalista francês, ajudando a expor a evasão fiscal generalizada. Os documentos do Luxleaks foram usados ​​em um programa de televisão sobre empresas multinacionais e o pagamento de impostos e foram publicados online pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos em 2014. Após essas revelações, a OCDE classificou Luxemburgo como não conforme com os padrões internacionais de transparência fiscal e o incluiu em uma lista negra de jurisdições não cooperativas.

O Sr. Halet foi condenado pelos tribunais do Luxemburgo por diversas acusações, incluindo furto, violação de sigilo profissional e violação de segredos comerciais, e multado em € 1,000. Em maio de 2021, uma Câmara do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) considerou que a condenação criminal do Sr. Halet era compatível com o direito à liberdade de expressão. A Câmara concluiu que os tribunais nacionais realizaram uma ponderação adequada entre o dano aparentemente causado à PwC e o direito de expressão do Sr. Halet. A Câmara também corroborou a abordagem do tribunal nacional, segundo a qual a constatação de que os documentos divulgados não continham informações “essenciais, novas e desconhecidas” era uma consideração legítima na análise desses direitos concorrentes. O caso foi encaminhado à Grande Câmara, que realizará uma audiência em fevereiro de 2022.

O papel da denúncia

As questões que a Grande Câmara terá de determinar neste caso provavelmente terão um impacto significativo na forma como o jornalismo investigativo é conduzido. Em seus comentários por escrito, a Media Defence enfatiza três pontos: a importância da denúncia para a coleta e reportagem eficazes de notícias sobre assuntos de interesse público; o consenso legislativo global emergente sobre a importância de garantir a proteção dos denunciantes; e os fatores relevantes a serem considerados ao se analisar a denúncia no contexto da iniciativa privada.

O diretor jurídico da Media Defence, Pádraig Hughes, afirmou: “O jornalismo investigativo depende de denunciantes para expor a corrupção e a incompetência. Esperamos que o Tribunal reconheça e apoie o consenso emergente entre os Estados de todo o mundo de que eles merecem proteção, e não processo, conforme descrito em nossos comentários por escrito.”

A intervenção pode ser encontrada aqui..

A decisão de uma Câmara da Terceira Secção pode ser encontrada aqui..

(Nota: A Media Defence recebeu permissão da Grande Câmara para intervir sob a condição de que as alegações escritas não comentem os fatos ou o mérito do caso e abordem apenas os princípios gerais aplicáveis ​​à sua resolução.)


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