A organização Media Defence levanta preocupações sobre a liberdade de imprensa em relação a spyware durante audiência no Supremo Tribunal Federal do Brasil.

Em uma recente audiência pública realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a Media Defence e seus parceiros ABRAJI Tornavoz destacou os riscos significativos representados pelo uso, pelas autoridades, de ferramentas secretas de vigilância em dispositivos de comunicação pessoal. A audiência teve como objetivo ouvir a sociedade civil e a academia sobre as implicações das ferramentas de spyware e como mitigar potenciais violações de direitos.

Falando em nome da Media Defence, Tornavoz e ABRAJI, Charlene Nagae, diretora e fundadora da TornavozNagae citou exemplos do México, El Salvador e Azerbaijão, onde o Pegasus foi usado para perseguir vozes críticas. Ela alertou: “Se essas ferramentas de software forem autorizadas no Brasil, corremos o risco de comprometer a liberdade de expressão e a atividade jornalística”. Além disso, o spyware prejudica a capacidade dos jornalistas de proteger suas fontes, um aspecto essencial do jornalismo investigativo e da liberdade de imprensa.

A Media Defence instou o STF a considerar essas implicações. Nossa posição está alinhada com as preocupações mais amplas expressas durante a audiência, na qual vários especialistas e representantes destacaram a necessidade de uma supervisão cuidadosa e da evolução legislativa para proteger o jornalismo independente e os direitos democráticos na era digital. Estela Aranha, do Conselho Consultivo de Alto Nível da ONU sobre Inteligência Artificial, alertou contra o acesso indiscriminado de spyware por autoridades, citando os “riscos imensos e irreversíveis” associados a essas ferramentas não rastreáveis ​​e incontroláveis.

O uso indevido de spyware como ferramenta de opressão transnacional contra jornalistas em todo o mundo foi um ponto crucial. Ele instiga o medo, silencia a dissidência e mina a confiança nas plataformas de comunicação digital, comprometendo fundamentalmente a liberdade de expressão. O apelo da sociedade civil foi claro: os governos devem se esforçar para estabelecer regulamentações que estejam em consonância com os padrões internacionais de direitos humanos sobre tecnologias de vigilância.

Enquanto o STF continua suas deliberações, permanecemos dedicados à proteção de vozes críticas independentes e à promoção da liberdade de expressão na era digital.

*Esta audiência foi iniciada pelo Juiz Cristiano Zanin e faz parte da Ação de Descumprimento de um Preceito Fundamental (ADPF) 1143.

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