Conheça os membros do Conselho Administrativo: a advogada Rina See

Temos o prazer de apresentar Rina See como a mais nova integrante do Conselho de Curadores da Media Defence. Nesta edição da nossa série Conheça os Curadores, conversamos com Rina sobre sua trajetória no direito, sua paixão pela liberdade de imprensa e o que ela espera contribuir para a Media Defence.

Bem-vindos à série “Conheça os Membros do Conselho”. Poderia nos contar um pouco sobre sua trajetória e o que a inspirou a seguir carreira na área jurídica?

Cresci em Singapura, estudei na Nova Zelândia e trabalhei como advogado nas áreas criminal e regulatória. Nos últimos 10 anos, trabalhei tanto em Londres quanto em Singapura, com foco em litígios internacionais.

Sempre me interessei por como o direito molda a sociedade. Durante o ensino médio, um momento decisivo foi quando uma ativista da morte assistida na Nova Zelândia publicou um livro sobre sua experiência ao ajudar sua mãe, que estava em fase terminal, a pôr fim à própria vida. Ela foi presa e condenada à prisão. Esse caso desencadeou um debate contínuo sobre a legalidade da morte assistida. Isso me fez perceber que o direito não é imutável, mas se cruza com questões profundamente pessoais e sociais que moldam valores, direitos e liberdades fundamentais. Essa experiência, juntamente com o fato de ter vivido em diversos países diferentes, me inspirou a seguir carreira na área jurídica, com foco em disputas internacionais.

O que inicialmente te atraiu na Media Defence e o que mais te entusiasma em fazer parte do conselho administrativo?

Meu primeiro contato com a Media Defence foi quando eu estava na WilmerHale, onde auxiliei em casos que a Media Defence apresentou no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos. Foi um privilégio ter a responsabilidade de defender indivíduos que sofreram enormes injustiças simplesmente por exercerem seu trabalho de reportar a verdade. Também me senti atraída pela Media Defence porque ela atua exatamente na interseção entre direito, sociedade e direitos e valores fundamentais – como seu trabalho em litígios estratégicos para garantir que a lei, de fato, proteja as liberdades fundamentais.

Como membro do conselho administrativo, estou ansioso para continuar contribuindo com o trabalho da Media Defence na proteção de jornalistas e da liberdade de imprensa. Isso é especialmente significativo em um momento em que a liberdade de imprensa enfrenta desafios e ameaças consideráveis. Também estou ansioso para aprender mais sobre governança e ONGs, e para conhecer e trabalhar com outros membros do conselho, todos com conhecimentos diversos nessa área.

Como você vê o litígio estratégico moldando a luta pela liberdade de imprensa e qual o impacto que ele pode ter na proteção de jornalistas em risco? 

O litígio estratégico é poderoso e necessário na luta pela liberdade de imprensa. Muitas vezes, os marcos legais existentes são insuficientes para proteger jornalistas e podem até ser usados ​​como meio de opressão. O litígio estratégico não apenas ajuda o jornalista individualmente, mas pode estabelecer precedentes legais que esclarecem e ampliam a proteção aos jornalistas em uma escala mais ampla. Talvez ainda mais importante, o litígio estratégico aumenta a conscientização e pode gerar mudanças reais.

Um exemplo notável é o Khadija Ismayilova v. Azerbaijão Eu não estava envolvido naquele caso, mas a Media Defence trabalhou com uma equipe jurídica internacional, incluindo a WilmerHale e Amal Clooney, para obter uma sentença unânime do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, declarando inúmeras violações de sua vida privada e liberdade de expressão. Isso chamou a atenção para a situação dos jornalistas no Azerbaijão, e a pressão internacional levou à sua libertação da prisão.

Você poderia compartilhar algum caso memorável ou impactante em que trabalhou com a Media Defence e a WilmerHale?

Lembro-me especialmente dos casos em que trabalhamos envolvendo jornalistas na Ucrâniaque foram torturados ou que perderam a vida na guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Foi um choque quando a guerra começou em 2022, mas esses casos realmente mostraram como os jornalistas arriscam suas vidas para levar essas notícias ao mundo.

Iniciamos uma ação no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos em nome da família de Sasha Kushynova, uma jornalista ucraniana de 24 anos que foi morta por um ataque de artilharia russo enquanto trabalhava como produtora local para a Fox News. Foi profundamente comovente saber sobre sua vida, que foi tragicamente interrompida precocemente.

Quais são, em sua opinião, alguns dos principais campos de batalha legais pela liberdade de imprensa e segurança dos jornalistas nos próximos anos?

Existem muitos, e esse número está aumentando, mas três em particular são os processos SLAPP, que continuam sendo uma tática usada para intimidar jornalistas com batalhas judiciais caras e demoradas; as regulamentações de segurança online, que correm o risco de se tornarem ferramentas de censura se forem mal utilizadas; e as leis de desinformação, que com muita frequência limitam o jornalismo legítimo.

Essas questões são mais complexas e difíceis de lidar do que a supressão direta da liberdade de expressão e as ameaças físicas a jornalistas, mas podem representar um risco ainda maior para a liberdade de imprensa devido à sua ampla disseminação. O trabalho da Media Defence nesse sentido será fundamental para garantir que se alcance um equilíbrio justo.

 Qual livro, filme ou podcast sobre jornalismo ou liberdade de expressão você recomendaria a todos?

Gostei muito de Spotlight. Não sei o quão preciso é em termos factuais, mas achei que retratou de forma comovente como o jornalismo investigativo pode ajudar a alcançar a justiça, as forças poderosas que atuam contra ela e a persistência necessária para descobrir a verdade.

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