O caso de Nika Gvaramia: silenciando vozes da oposição na Geórgia.

Nika Gvaramia é uma jornalista georgiana e importante política da oposição. Gvaramia foi Ministra da Justiça e Ministra da Educação e Ciência durante o governo do ex-presidente Mikheil Saakashvili e é uma crítica proeminente do atual governo georgiano e do partido governista Sonho Georgiano.

Em maio de 2022, Gvaramia foi condenado por abuso de poder e sentenciado a três anos e meio de prisão. Ele foi acusado de usar um carro da empresa para fins particulares enquanto atuava como diretor da Rustavi 2, uma emissora de TV de oposição. Em outubro de 2022, o Tribunal de Apelações de Tbilisi rejeitou seu recurso contra a condenação e a sentença. O caso agora está no Supremo Tribunal da Geórgia.

Após sua condenação, a Embaixada dos EUA na Geórgia emitiu um comunicado observando que a condenação e a sentença "colocam em questão o compromisso da Geórgia com o Estado de Direito". Numerosas ONGs internacionais e georgianas criticaram a condenação, alegando que ela tem motivação política e visa silenciar Gvaramia. Vale destacar que a conduta da promotoria foi criticada, com observadores apontando que Gvaramia não teve um julgamento justo.

O advogado de Gvaramia descreveu a decisão do tribunal como "absurda" e observou que as provas apresentadas no julgamento — de que ele tinha permissão para comprar e usar o carro e de que não havia precedente na lei georgiana para prender um diretor por usar os bens de uma empresa — foram ignoradas. A longa sentença foi criticada por ser manifestamente desproporcional.

Nos últimos anos, diversas instituições internacionais expressaram preocupação com o estado da liberdade de imprensa e da independência judicial na Geórgia. Por exemplo, o Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa salientou que julgamentos de grande repercussão foram atribuídos a juízes considerados leais ao governo. Nas suas recentes recomendações à Geórgia relativamente à candidatura do país ao estatuto de Estado candidato, a UE apelou ao país para que “assegure um poder judicial plenamente e verdadeiramente independente, responsável e imparcial ao longo de toda a cadeia institucional judicial, salvaguardando também a separação de poderes; nomeadamente, assegure o bom funcionamento e a integridade de todas as instituições judiciais e do Ministério Público, em particular o Supremo Tribunal”. Em particular, a UE exigiu um “ambiente mediático livre, profissional, pluralista e independente, nomeadamente assegurando que os processos penais instaurados contra os proprietários dos meios de comunicação social cumpram os mais elevados padrões legais”.

A Media Defence está preocupada com o fato de Gvaramia ter sido condenado tanto por seu trabalho como jornalista quanto por suas opiniões políticas. O Supremo Tribunal da Geórgia tem agora a oportunidade de remediar essa injustiça, anulando sua condenação e ordenando sua libertação.

 

 

https://www.amnesty.org/en/latest/news/2022/05/georgia-sentencing-of-pro-opposition-media-owner-nika-gvaramia-a-political-motivated-silencing-of-s-dissenting-voice/

https://cpj.org/2022/05/georgian-pro-opposition-journalist-nika-gvaramia-sentenced-to-3-5-years-in-prison/

https://www.transparency.ge/en/post/appellate-court-upheld-nika-gvaramias-imprisonment-politically-motivated-case

https://osgf.ge/en/statement-of-non-governmental-organizations-regarding-the-arrest-of-nika-gvaramia/

https://ec.europa.eu/commission/presscorner/detail/en/qanda_22_3800

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Esta é uma tradução para o inglês de um artigo publicado na Folha de S.Paulo em 3 de maio de 2026, por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Leia o original aqui. Trata-se de uma colaboração.

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