Apoio a parceiros em ambientes de imprensa instáveis: em diálogo com a Digital Rights Nepal.

Esta entrevista faz parte do nosso Relatório Anual de Impacto de 2025.



Em 2025, a crise democrática do Nepal se desenrolou tanto online quanto nas ruas. Um bloqueio nacional das redes sociais, justificado por leis destinadas a conter a “desinformação” e proteger os “interesses nacionais”, desencadeou um movimento liderado por jovens que vinha se organizando em diversas plataformas digitais. À medida que os direitos digitais sofrem crescente pressão, destacamos nosso parceiro, Digital Rights Nepal (DRN), por seu trabalho essencial na defesa das liberdades online e no apoio àqueles que reportam sobre o movimento.

O que começou como uma manifestação online contra a corrupção, a desigualdade econômica e a estagnação política, transformou-se em protestos em massa e na violenta repressão dessas manifestações. Pelo menos 76 pessoas foram mortas nos distúrbios e em suas consequências, incluindo manifestantes, policiais e prisioneiros, e mais de 2,100 ficaram feridas. A convergência entre a mobilização digital e a repressão letal ressaltou a profunda importância da liberdade de imprensa, do espaço cívico e da integridade eleitoral no Nepal. 


Você poderia se apresentar e falar um pouco sobre o que a DRN faz como organização? 

Sou Santosh Sigdel, Diretor Executivo da DRN, uma organização sem fins lucrativos dedicada à proteção dos direitos digitais, da liberdade de expressão, do acesso à informação, da liberdade de imprensa e do engajamento cívico inclusivo no Nepal.  

Nosso trabalho abrange pesquisa, engajamento político, treinamento em segurança digital, litígios estratégicos, campanhas de conscientização pública e formação de coalizões com a sociedade civil e parceiros internacionais para garantir que a crescente influência da tecnologia fortaleça, em vez de prejudicar, os valores democráticos no Nepal. 


2025 foi um ano turbulento para os direitos digitais e a democracia no Nepal. Quais eventos importantes impactaram seu trabalho?  

De fato, o ano foi um dos mais turbulentos da história recente. Foi marcado por uma intensa onda de propostas legislativas e ações executivas que desafiaram diretamente nosso trabalho. 

Entre os principais desenvolvimentos, destacam-se a apresentação do Projeto de Lei de Mídias Sociais, do Projeto de Lei de Tecnologia da Informação e Segurança Cibernética e do Projeto de Lei do Conselho de Mídia, juntamente com a adoção da Política Nacional de IA e a expansão dos requisitos de identificação nacional nos serviços públicos.  

Diversas propostas de lei para regulamentar os espaços digitais continham delitos amplos e vagamente definidos, como danos aos “interesses nacionais” ou “informações falsas”, além de severas penalidades criminais.  

Essas disposições corriam o risco de viabilizar a censura, inibir a liberdade de expressão online e expandir o controle do executivo sobre as plataformas digitais. 

A proibição nacional imposta pelo governo a plataformas de redes sociais não registradas, incluindo Facebook, WhatsApp, YouTube e X, marcou um ponto de virada. O bloqueio interrompeu gravemente a comunicação, o acesso à informação, o engajamento cívico e os meios de subsistência.  

Os protestos subsequentes liderados pela Geração Z, a trágica perda de 76 vidas e a eventual revogação da proibição ressaltaram o quão profundamente os espaços digitais estão enraizados na participação democrática no Nepal. 

Para nós, isso significou apoio urgente em litígios, defesa de políticas públicas, educação pública e formação de coalizões para defender as proteções constitucionais nos espaços digitais. 


Você já viu campanhas coordenadas de desinformação ou influência se aproveitarem da natureza digital da revolta e da mudança de regime?

Sim. Observamos campanhas coordenadas de desinformação e influência com o objetivo de redirecionar a raiva pública para agendas políticas específicas e desacreditar o governo interino, a sociedade civil e o processo eleitoral.  

Páginas de redes sociais com grande número de seguidores têm usado conteúdo sintético para disseminar desinformação, e sites focados em eleições e alimentados por inteligência artificial têm como alvo grupos ou líderes políticos específicos.  

Essas campanhas alimentam a polarização e corroem a confiança, destacando a necessidade de alfabetização midiática, verificação de fatos e monitoramento responsável, sem suprimir a liberdade de expressão. 


Que abordagens alternativas seriam mais eficazes para combater o discurso de ódio e a desinformação, ao mesmo tempo que salvaguardam a liberdade de expressão?

Combater os danos online exige uma mudança de mentalidade, passando de uma abordagem focada no controle para uma abordagem de governança complementar, onde a regulação estatal baseada em direitos, a responsabilidade das plataformas e a supervisão da sociedade civil se reforcem mutuamente.

As plataformas devem investir em moderação em língua nepalesa, revisores com conhecimento cultural, relatórios transparentes e mecanismos de apelação acessíveis para que o conteúdo prejudicial possa ser combatido sem suprimir a liberdade de expressão legítima.  

Os marcos legais devem definir claramente os danos, evitar disposições vagas, priorizar as medidas civis em detrimento das sanções penais e garantir uma forte supervisão judicial.  

A coordenação intersetorial, a autorregulação ética, uma maior literacia digital e a cooperação regional no Sul da Ásia são também essenciais. 


Olhando para o futuro, o que lhe dá esperança?

Apesar desses desafios, mantemos a esperança graças à energia e ao engajamento dos jovens que utilizam plataformas digitais para denunciar a corrupção e exigir transparência e reformas.  

Há um reconhecimento crescente de que os direitos digitais são fundamentais para a democracia e a liberdade de expressão, abrindo caminho para mudanças significativas. 


Visite Site da Digital Rights Nepal Para saber mais sobre o trabalho deles e conhecer melhor a Media Defence. programa de parceiros financiados clique aqui.

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