Quando o jornalismo é silenciado, o poder fica sem controle — e as pessoas sofrem, especialmente aquelas já marginalizadas. É por isso que a Media Defence existe: para proteger jornalistas que enfrentam ameaças legais, para que possam continuar relatando a verdade sem medo de represálias.
Desde 2008, apoiamos mais de 2,000 jornalistas e veículos independentes em todo o mundo. Mas o cenário jurídico se tornou mais complexo. Em 2024, assumimos um número recorde de casos. Novos casos 228 — o dobro do número de apenas quatro anos atrás.
As ameaças legais tornaram-se uma das ferramentas mais eficazes para suprimir o jornalismo. Leis repressivas à imprensa, auditorias fiscais, registos obrigatórios e bloqueios à internet são concebidos para dificultar o jornalismo de forma dissimulada. Táticas mais descaradas incluem detenções arbitrárias, processos judiciais com base em leis vagas de segurança nacional e acusações de "notícias falsas" — todas utilizadas para punir o jornalismo de interesse público.
Em alguns casos, as ameaças se intensificam ainda mais. Jornalistas foram submetidos a vigilância intrusiva, inclusive por meio de spyware de nível militar como o Pegasus. Outros sofreram abusos muito mais graves: desaparecimento forçado, extradição, tortura, crimes de guerra e execuções extrajudiciais. 2024 foi um dos anos mais letais já registrados, com pelo menos 122 jornalistas mortos – dois terços deles eram profissionais da mídia palestinos assassinados por Israel.
E não são apenas os Estados. Atores privados — corporações, oligarcas, grupos do crime organizado — usam cada vez mais processos cíveis e intimidação legal para silenciar a fiscalização. Essas táticas podem não envolver prisões ou armas, mas podem ser devastadoras e assustadoras. Para pequenos veículos de comunicação e jornalistas independentes ou cidadãos, sem departamentos jurídicos ou redes de proteção, resta apenas se defenderem sozinhos ou abandonarem o trabalho por completo.
No ano passado, a Media Defence apoiou casos envolvendo todas essas violações — financiando defesas legais, apoiando advogados que lutam por responsabilização e representando, cada vez mais, jornalistas em tribunais internacionais e regionais.
Em qualquer momento, apoiamos cerca de 700 casos em andamento em mais de 100 países. Mas esses não são apenas números. São vidas interrompidas e, em muitos casos, arruinadas. É uma perda devastadora — não apenas para eles, mas para todos nós, porque, como resultado, ficamos menos informados sobre o mundo em que vivemos.
Defesa jurídica que faz a diferença
A boa notícia? Apoio jurídico de alta qualidade e acessível muda os resultados — e mantém a verdade em circulação.
Ao longo do último ano, vimos como o nosso apoio pode proteger as vozes dos jornalistas, combater aqueles que tentam silenciá-los e ajudá-los a continuar a produzir reportagens.
Considere o jornalista investigativo tailandês. Chutima Sidasathian, que passou anos cobrindo casos de corrupção e direitos dos refugiados, apesar da constante intimidação legal. Em 2024, ela foi absolvida de três acusações de difamação criminal após ser alvo de processos SLAPP por expor um esquema corrupto de empréstimos ligado a funcionários públicos. Apoiamos sua defesa — assim como fizemos em 2015, quando ela enfrentou acusações semelhantes por reportar sobre o tráfico de migrantes rohingya.
In Colômbia, continuamos a apoiar Cláudia Julieta Duque, cuja luta de décadas por justiça culminou na condenação do ex-vice-diretor da extinta polícia secreta colombiana, o DAS, por tortura psicológica agravada — um passo histórico em um caso que simboliza os esforços brutais do Estado para silenciar o jornalismo investigativo. Embora sejam necessárias mais investigações para responsabilizar todos os envolvidos, temos orgulho de apoiar os esforços legais de Duque, que têm sido fundamentais para combater a impunidade e garantir a responsabilização.
Em outra decisão significativa, o Tribunal Superior do Quênia em Kajiado declarou culpado o assassinato do jornalista paquistanês. Arshad Sharif ilegal. Sharif foi morto a tiros na cabeça pela polícia perto de uma barreira policial nos arredores de Nairóbi, em 23 de outubro de 2022. Inicialmente, as autoridades descreveram o incidente como um caso de erro de identificação, mas a curta distância do disparo e a trajetória da bala levantaram sérias dúvidas sobre se o assassinato foi premeditado. A decisão do tribunal representa um passo importante rumo à responsabilização e garante que o caso — e a busca por justiça liderada pela viúva de Sharif, a jornalista Javeria Siddique — continue.
Litigação Estratégica: Desafiando a Repressão na Origem
Para além dos casos individuais, o litígio estratégico continua a ser uma ferramenta poderosa na resistência ao crescente autoritarismo: fortalece os padrões internacionais de liberdade de expressão e contesta diretamente leis e decisões judiciais que tornam o ambiente quotidiano dos jornalistas mais hostil.
No final de 2024, o Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenção Arbitrária concluiu que a detenção do jornalista vietnamita Nguyễn Lân Thắng violou o direito internacional — após uma denúncia apresentada pela organização Media Defence. Nguyễn, um proeminente defensor dos direitos humanos, ficou incomunicável por mais de seis meses antes de ser condenado com base em uma lei vaga, frequentemente usada para silenciar a dissidência.
A Media Defence tem apoiado há muito tempo a comunidade de blogueiros independentes e jornalistas cidadãos no Vietnã, que foram dizimados nos últimos anos como resultado da resposta repressiva do governo às críticas. Continuaremos a contestar essas detenções e a apelar à comunidade internacional para que pressione o Vietnã a libertar esses jornalistas.
Na próxima semana, compartilharemos mais dessas histórias — e o impacto do nosso trabalho — em nosso Relatório Anual de Impacto.
Mas hoje pedimos o seu apoio.
Num mundo cada vez mais moldado pela desinformação e pelo medo, os jornalistas precisam de aliados. A Media Defence será sempre um deles – mas precisamos de apoio.
Em um ano em que o jornalismo está sob ataque e o financiamento para a liberdade de imprensa está diminuindo, nosso trabalho é mais urgente do que nunca. O congelamento do financiamento nos EUA e a mudança de prioridades na Europa deixaram organizações, incluindo a nossa, enfrentando sérias dificuldades financeiras.
Esses cortes não são abstratos. Eles ameaçam diretamente nossa capacidade de defender jornalistas como Claudia Julieta Duque, Chutima Sidasathian, Javeria Siddique e Nguyễn Lân Thắng.
Seu apoio nos ajudará a defendê-los nos tribunais de todo o mundo — para que possam continuar relatando a verdade na qual todos nós confiamos.
Quando os jornalistas são silenciados, todos nós perdemos o acesso à verdade.