Em 22 de junho, Santiago O'Donnell ganhou o recurso apresentado ao Supremo Tribunal da Argentina, defendendo seu direito de não divulgar suas fontes. A sentença é histórica, pois afirma que a decisão de tornar público o conteúdo das entrevistas cabe ao jornalista, e não ao entrevistado.
O caso
Em 2021, começamos a apoiar a defesa de Santiago O'Donnell, jornalista investigativo, autor e editor de notícias internacionais argentino. A página 12.
O'Donnell publicou um livro polêmico intitulado "Brother: Mariano Macri's Confession about the web of power, politics, business, and family behind his brother Mauricio" em outubro de 2020. A obra detalha a ascensão de Mauricio Macri à presidência, baseada em pesquisas e entrevistas com o irmão do ex-presidente, Mariano.
Após a publicação, o livro recebeu uma reação rápida e contundente da família Macri. Mariano Macri exigiu que a jornalista fosse obrigada a fornecer uma cópia das gravações das entrevistas que supostamente realizou entre janeiro e agosto de 2020, as quais O'Donnell teria usado para escrever o livro.
Macri especificou que o objetivo da medida contestada era reunir todos os elementos necessários para uma possível ação judicial contra o jornalista e a editora por alegada quebra de contrato. Ele acreditava que essas gravações constituíam uma medida preparatória essencial e indispensável para o eventual processo.
Decisão de primeira instância
Em dezembro de 2020, o juiz de primeira instância ordenou que Santiago O'Donnell entregasse as gravações a Macri no prazo de cinco dias. O jornalista apresentou um pedido de reconsideração e, alternativamente, um recurso, ambos rejeitados pelo juiz.
Ao recorrer da rejeição de suas moções, O'Donnell enfatizou, por meio de seus advogados Damian Loreti e Cristian del Rosario, que apenas parte das informações havia sido publicada. O restante do material, portanto, estava reservado e sob a propriedade e responsabilidade exclusivas do profissional. Esse material poderia ser usado para futuras investigações e publicações e continha informações sensíveis. O'Donnell argumentou que o que ele buscava proteger e manter confidencial era o material não publicado, que ainda estava sendo verificado e checado por outras fontes.
Ao longo de 2021, a equipe jurídica de O'Donnell apresentou uma série de recursos e contestações à decisão. Eles argumentaram que a ordem judicial de primeira instância poderia criar um precedente perigoso, impactando a liberdade de imprensa no continente. O tema abordado por O'Donnell era de evidente interesse público e suas atividades de coleta de notícias deveriam ser protegidas.
Após uma série de contestações frustradas, a equipe jurídica tentou uma apelo raro ao Supremo Tribunal. Em 17 de fevereiro de 2022, o Supremo Tribunal suspendeu a decisão do juiz de primeira instância que obrigava O'Donnell a entregar as gravações da entrevista e solicitou o encaminhamento do processo principal.
O julgamento
Ontem, o Supremo Tribunal, por unanimidade, considerou admissível o recurso extraordinário apresentado por O'Donnell. O Tribunal anulou a decisão do juiz de primeira instância e ordenou um novo pronunciamento.
O Tribunal declarou que “o juiz [de primeira instância] não só proferiu a medida cautelar sem apresentar fundamentos sérios e convincentes relativamente a todos os requisitos para a sua admissibilidade, como também, ao rejeitar o pedido de reconsideração, deixou de apresentar uma resposta concreta e fundamentada sobre a ausência do requisito da necessidade, e manteve a medida com base em argumentos que, de alguma forma, exigiam um exame prévio da questão mencionada”.
Para ler a sentença completa, em espanhol, clique aqui. aqui..