Em 5 de julho de 2017, Pedro Vaca, diretor da Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP), parceira da MLDI na Colômbia, fez uma apresentação durante uma audiência na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) sobre a liberdade de imprensa na Colômbia. No mesmo dia, autoridades do Departamento de Estado responderam a algumas das observações da FLIP. Abaixo, o artigo de Emmanuel Vargas Penagos*, nosso colaborador, compartilha os principais pontos da apresentação:
Embora o assassinato de jornalistas tenha diminuído nos últimos anos, outros problemas afetam a liberdade de imprensa no país, incluindo a violência física. Entre janeiro de 2016 e julho de 2017, a FLIP registrou 373 casos de ataques contra a imprensa. Entre eles, seis sequestros na região de El Catatumbo. Apesar do progresso favorável do processo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), outros atores ilegais, como grupos criminosos organizados, o Exército de Libertação Nacional (ELN) e a guerrilha do Exército Popular de Libertação (EPL), violam a liberdade de imprensa nas regiões colombianas. Existe também um mecanismo de proteção na Colômbia, estabelecido desde 2000, mas esse mecanismo governamental reage às ameaças em vez de preveni-las. Além disso, as diferentes agências envolvidas na resposta a essas ameaças não se comunicam; por exemplo, não há vínculo entre o trabalho da Unidade Nacional de Proteção (UNP) e o da Procuradoria-Geral da República.
Existe um alto nível de impunidade para a violência contra a imprensa: desde 1977, houve uma taxa de impunidade de 99.7% em 153 homicídios e de 100% em mais de 1000 ameaças; além disso, o prazo de prescrição expirou em 47.7% dos casos de homicídio.
O processo de paz com as FARC também trouxe desafios para o jornalismo. As FARC, a ONU e o governo colombiano dão tratamento favorável à grande mídia e àqueles que têm uma visão positiva do processo de paz. O acesso a áreas especiais para a realocação de ex-militantes das FARC, restrito ao público em geral, tem sido difícil para grupos de mídia menores e para aqueles que criticam o processo de paz.
Os servidores públicos colombianos tendem a falhar em sua obrigação básica de garantir um ambiente favorável à liberdade de expressão. Por exemplo, dez senadores de diferentes partidos políticos solicitaram a prisão de um jornalista durante um debate. Isso foi uma reação a uma suposta agressão física por parte de um cinegrafista de um telejornal. Notícias Uno contra o secretário do Senado. Minutos antes, esse funcionário público simulou ser atingido por uma câmera enquanto era questionado sobre assuntos relacionados ao seu trabalho. Outro exemplo é a atitude do atual presidente, Juan Manuel Santos, que costuma se referir ao seu passado como jornalista para criticar o trabalho de outros jornalistas. Além disso, durante uma reunião, o presidente Santos incentivou as empresas a contatarem os veículos de comunicação solicitando uma cobertura mais favorável sobre questões econômicas.
Na mesma linha, a Rádio Cadena Nacional (RCN), emissora de rádio e televisão que frequentemente critica o governo, tem sido alvo de ameaças legais, incluindo uma ação judicial movida por um tribunal militar que obrigou um de seus jornalistas a revelar uma fonte, além de ameaças legais de dois ex-ministros envolvidos em um escândalo de corrupção.
As forças armadas são um dos principais agressores da imprensa. A FLIP recebeu relatos de 13 ataques e 12 obstruções à cobertura jornalística nos quais as forças armadas estão envolvidas.
A Colômbia também enfrenta desafios relacionados à liberdade online, particularmente no que diz respeito à legislação de vigilância e ao bloqueio, por um ano, de uma página da internet crucial para um programa educacional do governo.
De acordo com a pesquisa da FLIP 'Cartografias da Informação', Um estudo que avaliou o panorama midiático em 13% das 31 regiões da Colômbia constatou que pelo menos 83 municípios não possuem nenhum tipo de mídia local. Em outros locais, os meios de comunicação se dedicam à transmissão de música. Além disso, há áreas em que as estações de rádio são controladas pelas Forças Armadas. O estudo concluiu que, devido ao ambiente desfavorável à liberdade de imprensa, uma parcela significativa do país está silenciada.
O processo de paz trará oportunidades de melhoria em questões cruciais para a liberdade de imprensa na Colômbia. Os acordos entre as FARC e o governo colombiano incluem a concessão de novas licenças de rádio e o desenvolvimento de um ajuste normativo na alocação de recursos para publicidade pública.
Durante a audiência, os representantes do estado responderam à FLIP. O diretor da NPU explicou que sua agência tem trabalhado no estabelecimento de novos protocolos e no treinamento de seus analistas de avaliação de risco.
Durante a audiência, o Procurador-Geral explicou que tem trabalhado na priorização de casos, na elaboração de relatórios de análise contextual e na formação de detetives e procuradores, com o apoio do Relator Especial para a Liberdade de Expressão da CIDH.
Ao final da audiência, o Relator Especial para a Liberdade de Expressão da CIDH reiterou seu interesse em apoiar processos de políticas públicas, como a devida implementação das questões relativas à liberdade de imprensa no acordo de paz. Manifestou também seu interesse em dar continuidade à formação de detetives e promotores. Além disso, recomendou que a Unidade Nacional de Proteção à Imprensa (UNPI) criasse procedimentos especiais para a proteção de jornalistas nas áreas de reassentamento de ex-militantes. Um dos comissários, José de Jesús Orozco, destacou o alarmante índice de impunidade e a necessidade de aprimorar a proteção aos jornalistas.
O Estado foi representado por funcionários da Procuradoria-Geral, do Ministério das Relações Exteriores, da Unidade Nacional de Proteção (UNP) e da Unidade Nacional de Reparação e Atendimento às Vítimas (UNV), que explicaram algumas das ações que estão sendo tomadas para mitigar alguns dos problemas apontados pela FLIP. A gravação da audiência pode ser encontrada. aqui.. A Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP) é uma organização não governamental que promove a liberdade de imprensa na Colômbia e defende o direito dos cidadãos à informação. Desde 1999, a FLIP já auxiliou mais de mil jornalistas colombianos em situação de risco. Clique neste link para obter mais informações sobre o FLIP..
*Emmanuel é o Conselheiro do Diretor Executivo da FLIP e atualmente está realizando um programa de bolsas de estudo no MLDI.