O Supremo Tribunal Federal mantém as condenações por tortura no caso de Claudia Julieta Duque.

Este artigo foi publicado originalmente em espanhol pela nossa parceira Fundación para la Libertad de Prensa (FLIP). Leia o original aqui..

O Supremo Tribunal da Colômbia rejeitou os recursos apresentados por Emiro Rojas Granados, ex-diretor adjunto do extinto Departamento Administrativo de Segurança (DAS) da polícia secreta colombiana, e por Néstor Javier Pachón Bermúdez, ex-detetive da mesma agência.

O DAS submeteu a jornalista colombiana Claudia Julieta Duque a mais de duas décadas de perseguição implacável. A recente decisão do Supremo Tribunal Federal confirma as condenações proferidas por tribunais inferiores contra Rojas Granados e Pachón Bermúdez pelos crimes de tortura agravada e conspiração agravada para cometer um crime contra Duque.

Segundo a sentença, entre julho de 2001 e dezembro de 2004, uma organização criminosa atuou dentro da DAS, agindo “fora das diretrizes administrativas ordinárias” e por meio de “esforços conjuntos de todas as unidades da Direção-Geral de Inteligência”.

O Tribunal reconheceu que esta organização assediou, vigiou, ameaçou e torturou psicologicamente a jornalista de forma sistemática, em represália às suas investigações sobre o assassinato de Jaime Garzón e às suas reportagens sobre o alegado papel do DAS na obstrução desse caso.

Os juízes concluíram que os ataques contra Duque – incluindo perseguição, ameaças de morte e assédio à sua filha pequena – configuraram atos contínuos de tortura que forçaram a jornalista ao exílio em duas ocasiões. O Tribunal também determinou que Rojas Granados, enquanto Diretor-Geral Adjunto do DAS, tinha conhecimento e controle dessas operações ilegais, utilizou indevidamente recursos do Estado para servir a uma rede criminosa e acobertou as ações do detetive Pachón Bermúdez, responsável pela vigilância.

Consequentemente, o Tribunal manteve as sentenças de 174 meses de prisão (14 anos e meio) para Rojas Granados e multa equivalente a 4,200 salários mínimos mensais vigentes (aproximadamente £1.09 milhão); e de 150 meses (12 anos e meio) e 1,500 salários mínimos mensais vigentes (aproximadamente £390,000) para Pachón Bermúdez. Na Colômbia, o “salário mínimo mensal vigente” (SMMLV) é uma unidade padrão para o cálculo de multas, indenizações e penalidades.

A decisão também ordena que o Presidente da Colômbia emita um pedido público de desculpas à jornalista e garanta que ela receba indenização por danos morais.

Esta decisão reafirma a existência de uma política institucionalizada de perseguição dentro da antiga DAS, que procurava silenciar jornalistas e defensores dos direitos humanos através de práticas ilegais de inteligência.

Os processos judiciais contra Giancarlo Auqué e José Miguel Narváez, outros dois ex-funcionários da DAS envolvidos nos mesmos eventos, continuam pendentes. A Media Defence e a FLIP instam as autoridades a conduzirem esses casos com rapidez e diligência.

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