Mauricio Weibel Barahona é um renomado jornalista investigativo chileno especializado em corrupção militar e direitos humanos. Suas investigações aprofundadas expuseram um esquema significativo de corrupção dentro das Forças Armadas do Chile, resultando em recuperações substanciais para o tesouro chileno e graves repercussões pessoais. Seu trabalho teve impacto nacional significativo, incluindo a recuperação de aproximadamente US$ 4.5 bilhões para o tesouro e o indiciamento de 850 militares, entre eles os últimos cinco comandantes militares.
Após expor a corrupção dentro do exército em 2016, Weibel tornou-se alvo de vigilância militar ilegal em diversas ocasiões. Desde 2021, ele luta por justiça no sistema judiciário chileno, apesar das significativas violações do devido processo legal envolvendo juízes e militares.
Agora, porém, as pressões contra ele assumiram uma nova forma. A desinformação, com o objetivo de criminalizar o trabalho investigativo de Weibel, está se proliferando online, ameaçando prejudicar sua batalha legal contra a impunidade e silenciar suas reportagens.
Vigilância militar ilegal de um jornalista investigativo
Mauricio Weibel, colaborador do Centro de Jornalismo Investigativo (CIPER ) e autor de vários livros sobre ditadura militar e corrupção, descobriu fraudes massivas em compras de armas militares e desvio de milhões do orçamento de defesa entre 2015 e 2019.
Após suas revelações, Weibel percebeu que estava sendo vigiado pelos militares e recebeu confirmação disso de fontes anônimas. Em agosto de 2019, o site de notícias La Tercera publicou um artigo revelando que Weibel havia sido espionado, grampeado e gravado ilegalmente pela Diretoria de Inteligência do Exército Chileno em uma operação denominada “Operação W”, derivada do sobrenome do jornalista. Em resposta, Weibel iniciou sua própria investigação sobre a operação. Com a ajuda de fontes anônimas, ele identificou os militares e civis envolvidos e chegou a gravar os agentes que o seguiam. Todas essas informações foram entregues à justiça.
Risco de impunidade
Em 2021, Weibel apresentou uma queixa-crime por interceptação maliciosa de suas telecomunicações. A queixa alegava que os militares chilenos, em conluio com autoridades judiciais, realizaram uma operação ilegal de espionagem contra ele.
Isso levou a investigações e processos judiciais de grande repercussão contra figuras importantes das forças armadas e do judiciário, incluindo o ex-juiz Juan Antonio Poblete Méndez. Poblete, que havia autorizado a escuta telefônica ilegal, foi inicialmente condenado à prisão preventiva, pois sua libertação foi considerada "um perigo para a segurança da sociedade".
No entanto, o Supremo Tribunal Federal ordenou posteriormente a libertação imediata de Poblete. Desenvolvimentos recentes revelaram graves deficiências no sistema judiciário chileno. Evidências extraídas de dispositivos apreendidos durante a investigação revelaram que Poblete havia feito lobby para a nomeação de María Teresa Letelier para o Supremo Tribunal Federal. Letelier, então ministra do Supremo Tribunal Federal, votou posteriormente pela libertação de Poblete, indicando um conflito de interesses e falta de independência judicial. Essa situação ressalta os potenciais riscos à justiça e à responsabilização no caso de Weibel.
O caso está em andamento. Em 28 de novembro de 2023, a Suprema Corte do Chile considerou justificada a acusação e a prisão preventiva de Poblete devido a fortes indícios de que ele teria autorizado a interceptação telefônica de Weibel e de outras supostas vítimas. Até junho de 2024, o caso permanece em fase pré-processual e o ex-juiz Poblete continua em prisão preventiva.
Assédio on-line
A Media Defence está preocupada com os discursos online que tentam criminalizar o trabalho investigativo legítimo de Mauricio Weibel sobre a corrupção militar no Chile. Apelamos às autoridades chilenas para que garantam um julgamento justo para Weibel e defendam o direito à liberdade de expressão.
A busca por justiça no caso de Mauricio Weibel é crucial para a integridade das instituições democráticas do Chile e para a liberdade de expressão.
Se você é jornalista e enfrenta ameaças legais por causa do seu trabalho, solicite ajuda. aqui..