Relatores da ONU pedem proteção para a jornalista brasileira Schirlei Alves.

Relatores da ONU pedem proteção para a jornalista brasileira Schirlei Alves em meio a acusações de difamação decorrentes da cobertura de um julgamento por estupro.

Uma carta enviada por relatores da ONU ao governo brasileiro pede medidas de proteção para jornalistas mulheres que cobrem casos de crimes sexuais. A carta também denuncia a condenação da jornalista investigativa e defensora dos direitos das mulheres brasileira, Schirlei Alves. Argumenta que o uso da lei de difamação criminal para impedir críticas a figuras públicas é contrário à liberdade de imprensa e a mina.

Após denunciar a revitimização e os maus-tratos sofridos por influenciadores digitais no sistema judiciário brasileiro Mariana FerrerDurante um julgamento de estupro de grande repercussão, Alves enfrentou forte reação negativa. Isso incluiu processos por difamação movidos contra ela em 2020 pelo juiz e pelo promotor do caso Ferrer. Como resultado desses processos, Alves foi condenada a um ano de prisão semiaberta e a uma multa exorbitante de 400,000 mil reais (US$ 81,692). Alves está recorrendo da sentença.

Em seu relatório sobre o caso Ferrer, Alves expôs casos de abuso de poder dentro do judiciário, destacando o sexismo e a humilhação que Ferrer enfrentou durante o processo judicial. Um empresário rico foi acusado de drogar e estuprar Ferrer em uma festa em 2018. Durante o julgamento, o advogado de defesa do acusado tentou desacreditar Ferrer e minar seu depoimento usando tropos sexistas e estereótipos de gênero. De acordo com um Segundo o Instituto Reuters, o réu foi absolvido, sob o fundamento de que não tinha como saber que Ferrer era incapaz de consentir. O promotor declarou durante o julgamento que o "estupro não intencional" de pessoa vulnerável não é contemplado pela legislação brasileira vigente e que, portanto, o caso foi considerado "atípico".

As consequências da corajosa reportagem de Alves foram severas. Além de ser condenada criminalmente por noticiar um assunto de interesse público, ela foi persistentemente ameaçada e assediada online. Isso causou imenso sofrimento pessoal e profissional, chegando a forçá-la a desativar seus perfis nas redes sociais. Em uma entrevista com A Coalizão para Mulheres no JornalismoAlves, refletindo sobre essa experiência, afirmou: “Meu único desejo era expor a verdade… e eu faria tudo de novo. Espero que nosso sofrimento leve a mudanças para que as mulheres não passem pelo que passamos.”

Apesar dos desafios que enfrentou, ela permaneceu firme em seu compromisso de expor a verdade. Sua reportagem sobre o caso Ferrer gerou indignação nacional e levou à aprovação, em 2021, da Lei Mariana Ferrer, que pune agentes públicos que violam a dignidade de sobreviventes ou testemunhas de violência sexual em juízo.

Além disso, as reportagens de Alves deram início a um debate nacional sobre a desigualdade de gênero e a necessidade de mudanças sistêmicas. Ao amplificar as vozes de mulheres como Mariana Ferrer e destacar suas experiências, Alves desempenhou um papel crucial no questionamento das normas sociais e na defesa da igualdade de gênero.

A carta ao governo brasileiro foi assinada pelas relatoras especiais da ONU Irene Khan, Mary Lawlor, Reem Alsalem e Dorothy Estrada-Tanck. As relatoras expressam sua preocupação com o julgamento e a condenação de Alves, argumentando que suas reportagens visavam esclarecer a má conduta judicial, e não difamar indivíduos. A carta também destaca como as reportagens de Schirlei Alves levaram a uma reforma judicial significativa.

Além de abordar o caso de Alves, os relatores da ONU destacam as implicações mais amplas de sua perseguição para a liberdade de imprensa e a necessidade de proteger jornalistas que cobrem temas sensíveis como má conduta sexual. Os relatores enfatizaram o papel crucial do jornalismo na promoção da responsabilização e da transparência na sociedade. Ressaltaram a necessidade de os jornalistas atuarem sem medo de represálias, especialmente ao denunciarem má conduta ou abusos de poder.

Eles pedem ao governo brasileiro que forneça detalhes sobre os fundamentos jurídicos e factuais das acusações de difamação contra Alves e que tome medidas para garantir um ambiente propício para jornalistas que cobrem esses casos, sem medo de assédio ou intimidação. A resposta do governo brasileiro ainda não foi publicada formalmente pela ONU.

Em entrevista com UOLSchirlei Alves observou: “Fico muito feliz em saber que os mecanismos nacionais e internacionais de proteção aos jornalistas estão agindo em minha defesa, que estão ao meu lado. E tenho muita esperança de que essa decisão injusta seja revertida ao longo do processo.” Ela também enfatizou que a carta da ONU ressalta a importância de seu caso ao destacar as ameaças à liberdade de imprensa no Brasil.

A recusa de Alves em ser silenciada serve como um poderoso lembrete do papel vital que os jornalistas, e em particular as jornalistas, desempenham na defesa dos direitos humanos. No entanto, em vez de ser reconhecida por sua coragem, ela enfrenta uma sentença punitiva e opressiva.

A Media Defence saúda a comunicação conjunta dos quatro relatores especiais da ONU. Continuamos a prestar apoio jurídico e financeiro ao recurso de Alves. Fundo Global de Defesa da Mídia da Unesco.

Leia o artigo carta.

Irene Khan é Relatora Especial da ONU para o direito à liberdade de expressão. liberdade de opinião e expressão

Mary Lawlor é Relatora Especial da ONU sobre a situação de defensores dos direitos humanos

Reem Alsalem é Relatora Especial da ONU sobre violência contra mulheres e meninas e

Dorothy Estrada-Tanck é Presidente-Relatora do Grupo de Trabalho da ONU sobre discriminação contra mulheres e meninas

Para obter mais informações sobre os Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos da ONU, clique aqui. aqui.

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