Uma imprensa livre e independente serve como a pedra angular da democracia, fornecendo aos cidadãos informações essenciais para compreender o mundo ao seu redor. Promover o jornalismo independente não é apenas uma tarefa para os profissionais da mídia; é um compromisso coletivo.
Na Conferência Comemorativa Global do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa da UNESCO de 2024, em Santiago, Chile, a Media Defence orgulhosamente se juntou à comunidade global em discussões cruciais sobre o papel vital do jornalismo na promoção de um futuro sustentável que defenda a diversidade de vozes.
A ascensão da vigilância estatal na América Latina
No sábado, 4 de maio, promovemos um painel de discussão com o objetivo de conscientizar sobre a vigilância contínua na América Latina e a batalha legal pela responsabilização. O painel, moderado pelo nosso CEO, Carlos Gaio, contou com palestrantes de destaque representando diversas facetas da luta pela liberdade de imprensa na América Latina. Ângela Caro da Fundação para a Liberdade de Imprensa – FLIP , Mauricio Weibel da Sociedad de Corresponsales en Latinoamérica y el Caribe (SOLAC), Leopoldo Maldonado da ARTIGO 19 México e América Central, Charlene Nagae of Instituto Tornavoze Carlos Dada de El Faro Em conjunto, eles lançaram luz sobre como as táticas de vigilância são empregadas no Chile, Colômbia, México, El Salvador e Brasil. De forma importante, discutiram as diversas estratégias de litígio utilizadas para contestar tais práticas, citando casos emblemáticos recentes e em andamento na região.
A este respeito, Carlos Gaio afirmou: “O uso crescente de tecnologia de vigilância na América Latina apresenta desafios profundos para jornalistas e ativistas, dificultando os esforços para responsabilizar os autores de violações de direitos humanos. Este cenário complexo sublinha a necessidade crucial de um sólido apoio jurídico para salvaguardar a liberdade de imprensa e o direito à privacidade.”
Veja o painel completo em inglês aqui:
Soluções inovadoras para a proteção de jornalistas e comunicadores ambientais.
Em colaboração com o escritório da ARTICLE 19 no Brasil e na América do Sul, bem como com o escritório da ARTICLE 19 no México e na América Central, participamos de um debate crucial sobre a cooperação internacional para soluções inovadoras na proteção de jornalistas e comunicadores ambientais. Considerando que um estudo recente da UNESCO revelou que 70% dos jornalistas ambientais foram atacados por seu trabalho nos últimos 15 anos, o diálogo coletivo sobre essas questões é fundamental.
Moderado por Beatriz Barbosa da RSF, o painel contou com contribuições perspicazes de nossa Assessora Jurídica, Raissa Carrillo VillamizarPedro Vaca, Relator Especial para a Liberdade de Expressão do CIDH_IACHR (CIDH), Alicia Miller de FOPEA – Fórum de Periodismo Argentino, Raquel da Cruz Lima do Artigo 19, e Laura María Ajcalón Tuiz da Rádio Juventud de Sololá.
Os palestrantes enfatizaram como os jornalistas são fundamentais para expor os principais responsáveis pela crise climática, ajudando-nos a entender o que está acontecendo, como isso nos afeta e quem deve ser responsabilizado.
Eles discutiram exemplos críticos de ataques contra jornalistas ambientais, incluindo os assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips, destacando a urgência de salvaguardar o jornalismo comprometido com o planeta.
Violência em Ambientes Digitais
Além disso, abordamos a questão premente da violência em ambientes digitais em uma sessão organizada pelo PNUD, ACNUDH e UNESCO Em Lima, no Peru. Em colaboração com organizações de destaque que defendem a liberdade de imprensa no Peru, incluindo a Associação Nacional de Jornalistas (ANP), o Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS) e o Conselho de Imprensa do Peru (CPP), contribuímos para um diálogo com o objetivo de combater as ameaças digitais enfrentadas pelos jornalistas.
Este evento fez parte de um encontro mais amplo que reuniu jornalistas nacionais e especialistas internacionais para debates temáticos que destacaram a importância do direito à informação, o dever da imprensa de disseminar a verdade e o papel do Estado na proteção dos jornalistas no Peru.
Nossa assessora jurídica, Raissa Carrillo, observou que a perseguição judicial à imprensa deve cessar, pois está sendo usada como mecanismo de censura. “O que vemos é o uso e o abuso do sistema judicial… como estratégia de deslegitimação. Ou seja, o sistema de justiça não está sendo usado para apontar que o trabalho jornalístico está sendo feito de forma inadequada, mas sim para criminalizá-lo.”
Jornalistas nacionais, incluindo Paola Ugaz, Manuel Calloquispe FloresLiubomir Fernández, Rosa Maria Palacios, Clara Elvira Ospina GarzonNelly Luna também contribuiu com suas experiências.
Foi um prazer para nossa equipe se reunir com Paola Ugaz, jornalista investigativa peruana premiada, que enfrentou assédio judicial após ser coautora de um livro sobre o suposto padrão de abuso dentro de uma organização católica peruana. Temos orgulho de ter apoiado a defesa jurídica de Paola Ugaz.
As diversas vozes presentes ao longo da conferência ofereceram uma visão abrangente do estado da liberdade de expressão em diferentes regiões, destacando tanto os desafios quanto as oportunidades em um cenário complexo. Esse diálogo coletivo ressalta a importância contínua de defender a liberdade de imprensa e garantir que os jornalistas possam trabalhar sem medo ou impedimentos.