No início deste ano, a Suprema Corte da Nigéria confirmou que a Lei de Liberdade de Informação (FOI, na sigla em inglês) se aplica a todos os níveis de governo, reforçando o direito dos cidadãos ao acesso à informação. Recentemente, conversamos com o Presidente Aigbokhan, Esq. – advogado principal no caso e membro valioso de nossa rede global de advogados de liberdade de imprensa – sobre essa decisão favorável e seu impacto mais amplo.
Em 11 de abril de 2025, o Tribunal decidiu que a Lei de Liberdade de Informação (FOI Act) vincula não apenas os ministérios, departamentos e agências federais (MDAs), mas também todos os 36 governos estaduais.
A sentença anula uma decisão de 2018 do Tribunal de Apelações de Benin City que havia restringido a aplicação da lei às instituições federais, consolidando, na prática, o descumprimento generalizado em nível estadual.
A decisão do Supremo Tribunal sublinhou que a Lei de Liberdade de Informação foi promulgada para promover a transparência, a responsabilização e a participação pública na governação – princípios que, segundo o tribunal, não devem ser limitados por fronteiras jurisdicionais.
“Nossas leis devem funcionar para todos”, disse o presidente Aigbokhan, advogado principal dos apelantes. “Esta decisão representa um passo adiante para a governança democrática, com implicações para a proteção dos direitos dos cidadãos em nível estadual.”
Um desafio enraizado no direito de receber informações.
O caso teve origem em um pedido de informações feito em 2014 por uma coalizão de organizações da sociedade civil à Agência de Controle da AIDS do Estado de Edo (EDOSACA). Os grupos buscavam registros financeiros relacionados ao Projeto de Desenvolvimento do Programa de HIV/AIDS (HPDP II), incluindo despesas, doações, contribuições de doadores e contratos firmados entre 2011 e 2014.
Após a EDOSACA se recusar a cumprir a determinação, as organizações levaram o caso ao Tribunal Federal Superior, que decidiu a seu favor. No entanto, o governo do Estado de Edo recorreu com sucesso, limitando o alcance da lei – até a reversão da decisão pelo Supremo Tribunal.
Um longo caminho rumo à transparência
A jornada da Nigéria rumo a uma lei de Liberdade de Informação foi árdua. A primeira versão do projeto de lei foi elaborada em 1993 pela Media Rights Agenda (MRA), pela Civil Liberties Organisation (CLO) e pelo Sindicato dos Jornalistas da Nigéria (NUJ). Embora o Parlamento tenha aprovado o projeto em 2007, ele foi vetado pelo então presidente Olusegun Obasanjo. Somente após mais quatro anos de mobilização, o presidente Goodluck Jonathan finalmente sancionou a Lei de Liberdade de Informação em 28 de maio de 2011, tornando a Nigéria o segundo país da África Ocidental, depois da Libéria, a fazê-lo.
No entanto, a implementação prática tem se mostrado inconsistente, na melhor das hipóteses. Um relatório de 2023, elaborado por uma coalizão de organizações da sociedade civil, revelou que mais de 170 ministérios, departamentos e agências federais violaram a lei somente naquele ano, ao ignorarem pedidos de informação. Agenda de Direitos da Mídia também alertou que as baixas alocações do orçamento federal e a falta de vontade política continuavam a prejudicar a aplicação da Lei de Liberdade de Informação.
Em nível estadual, o cumprimento da lei tem sido ainda mais difícil. Muitos governadores argumentaram que a Lei de Liberdade de Informação (FOI Act), por ser uma legislação federal, não os vinculava sem versões específicas da lei em seus respectivos estados. A decisão mais recente da Suprema Corte busca eliminar essa brecha, esclarecendo que as obrigações de transparência não são opcionais para os governos estaduais.
Contexto mais amplo: Liberdade de expressão na Nigéria
Em 2025, a Nigéria ocupa a 122ª posição entre 180 países. RSFO Índice Mundial de Liberdade de Imprensa da ONU classifica a Nigéria em um patamar que reflete as preocupações contínuas com a segurança dos jornalistas, com pelo menos cinco jornalistas nigerianos atualmente detidos em junho de 2025.
Além da segurança pessoal, o governo nigeriano fez diversas tentativas de restringir a liberdade de imprensa por meio de medidas legislativas na última década. Legislação proibitiva, incluindo a Lei de Crimes Cibernéticos de 2015 e Projeto de Lei Anti-Redes Sociais de 2019 A medida gerou preocupações significativas entre a sociedade civil e os defensores da liberdade de imprensa. Embora as autoridades afirmem que essas medidas visam aprimorar a segurança cibernética e combater a desinformação, os projetos de lei, na verdade, contribuíram para a redução do espaço para o debate público.
Alterações à Lei do Conselho de Imprensa da Nigéria e Lei da Comissão Nacional de Radiodifusão Em 2021, medidas semelhantes intensificaram o efeito inibidor sobre a mídia e permitiram uma maior intervenção do Estado. Jornalistas investigativos, em particular, continuam expostos a ameaças legais, especialmente por reportarem sobre temas politicamente sensíveis, como corrupção e peculato. O desafio reside em fortalecer os marcos legais para, simultaneamente, oferecer proteção adequada aos jornalistas e promover a transparência.
Um passo rumo à responsabilização
“Esta não é apenas uma vitória legal – é uma vitória para a democracia”, disse Aigbokhan.
que dedicou o sucesso à rede de ONGs e ativistas no estado de Edo que continuaram a lutar por justiça durante quase uma década de litígios.
Ao reafirmar que a governança aberta é um padrão nacional, e não uma questão de discricionariedade local, a Suprema Corte reforçou o direito constitucional de responsabilizar o poder.
No entanto, resta saber se isso se traduzirá em melhorias tangíveis no acesso à informação. Obstáculos estruturais – incluindo resistência política e capacidade institucional limitada – podem continuar a dificultar o cumprimento das normas, especialmente a nível estadual.
A Media Defence apoiou este caso através de nossa equipe. Programa de Defesa de EmergênciaSe você é jornalista e está enfrentando ameaças por causa do seu trabalho, pode obter ajuda. aqui..