Diretiva Modelo Anti-SLAPP da UE

A diretiva anti-SLAPP da UE Foi elaborado por iniciativa de uma coligação de organizações não governamentais de toda a Europa que têm trabalhado em conjunto nos últimos anos para sensibilizar e instar os decisores políticos a protegerem os agentes de vigilância pública, como jornalistas, defensores dos direitos humanos, ativistas e denunciantes, de ações judiciais estratégicas contra a participação pública (SLAPPs).

Ações judiciais SLAPP São utilizadas para censurar e intimidar críticos, onerando-os com os custos de uma defesa legal até que abandonem a oposição. Essas ações judiciais não visam apenas veículos de comunicação, mas também jornalistas individualmente, que são alvos em sua capacidade pessoal. Muitos desses jornalistas enfrentam multas pesadas, proibições de exercer a profissão e até mesmo penas de prisão como resultado de alegações legais infundadas. Esse tipo de litígio tem como objetivo drenar recursos e inibir o jornalismo crítico, e está se tornando cada vez mais comum na Europa e em todo o mundo.

Atualmente, nenhum Estado-membro da UE promulgou regras específicas que protejam contra ações judiciais abusivas e sem compromisso (SLAPP). Regras em toda a UE que garantam uma proteção forte e consistente contra essas ações representariam um passo crucial para o fim dessa prática abusiva nos Estados-membros e serviriam como referência para países do resto da Europa e de outras regiões. Juntamente com outras medidas legislativas e não legislativas, isso contribuiria para garantir um ambiente mais seguro para os órgãos de fiscalização pública e a participação pública na UE.

Por isso, a sociedade civil envolveu uma ampla gama de especialistas, incluindo acadêmicos, advogados, profissionais da área jurídica, vítimas de ações judiciais abusivas contra a participação pública (SLAPP, na sigla em inglês) e especialistas em políticas públicas e advocacia, para analisar o valor agregado, a viabilidade e os principais componentes de uma possível legislação anti-SLAPP da UE. Este documento é o resultado desse trabalho colaborativo: uma proposta de legislação anti-SLAPP da UE que consiste em um conjunto de regras que, se implementadas, garantiriam que, em cada país da UE, as ações judiciais abusivas contra a participação pública sejam rejeitadas em um estágio inicial do processo, que os litigantes sejam responsabilizados por abusar da lei e dos tribunais, e que as vítimas recebam os meios e a assistência necessários para se defenderem.

À medida que a democracia e o Estado de direito sofrem crescentes pressões em vários Estados-Membros, este documento apoia o apelo das organizações signatárias aos decisores políticos da UE para que apresentem urgentemente uma Diretiva Anti-SLAPP da UE, a fim de proteger os organismos de fiscalização pública que ajudam a responsabilizar os poderosos e a manter vivo o debate democrático.

 

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